terça-feira, 6 de março de 2018

REVISITANDO O MAR MORTO

MAR MORTO: nome pelo qual é conhecido o lençol de água a que a Bíblia chama de Mar de Sal (Gén. 14:3; Núm. 34:12; Deut. 3:17; Josué 3:16), também citado como Mar do Deserto (Deut. 3:17; Josué 3:16), e por fim Mar Oriental (Ezeq. 47:18; Zac. 14:8).
Josefo denomia-o Asphltitis, Antig. 1.9,1. Os gregos denominaram-no Mar Morto, desde a metade do segundo século da nossa era (Pausanias). Situa-se na profunda depressão situada onde desagua o Jordão. Está a 426 metros abaixo do nível do Mediterraneo; tem a configuração de um longo retângulo com ângulos agudos, interrompido por uma projecção que se inclina para o lado do sudoeste, formando um grande promontório ou península, chamada Lisã ou Lingua.





O Mar Morto é um dos mais notáveis. Nenhum outro ocupa lugar mais profundo na superfície do Globo. As águas são mais salgadas do que as dos oceanos, estas contém 6 libras de sal. Em consequência disto se lançarmos ovos à água flutuam. Os que se aventuram a nadar é aconselhável a não mergulhar, há imensa dificuldade em dominar os movimentos, o mais agradável é boiar e deixar-se ficar com um jornal e ler, ou levar uma travessa com o pequeno almoço e o jornal e enquanto se actualiza com as noticias poder deliciar-se com uma boa refeição.




A CIDADE DE DAVID











BETSAIDA - CASA DE PESCA

ARQUEÓLOGOS descobriram a cidade que se situava à beira do Lago de Genesaré, situada no vale do alto Jordão, e construída por Filipe, o tetrarca, que lhe deu o nome da filha do Imperador Augusto (Ant. 18. 2, 1). A esta cidade se referieu Jesus quando teve a notícia da morte de João Baptista (Luc. 9:10; Mat. 14:13; João 6:1). Neste lugar há hoje a cidade com o nome Ain el-Tabighah.


OS JARDIMS DO TÚMULO E DO GETSEMANI

"Tendo Jesus dito isto, saiu com os seus discípulos para o outro lado do ribeiro de Cedrom, onde havia um jardim, e com eles ali entrou. Ora, Judas, que o traía , também conheci aquele lugar; porque muitas vezes Jesus se reunira ali com os discípulos. Tendo, pois, Judas tomado a coorte e uns guardas da parte dos principais sacerdotes e fariseus, chegou ali com lanternas archotes e armas." João 18:1-3.

"Então chegaram a um lugar chamado Getsêmane, e disse Jesus a seus discípulos: Sentai-vos aqui, enquanto eu oro. E levou consigo a Pedro, a Tiago e a João, e começou a ter pavor e a angustiar-Se; e disse-lhes: A minha alma está triste até a morte; ficai a qui e vigiai. E adiantado-se um pouco, prostrou-se em terra; e orava para que, se fosse possível, passasse dele aquela hora." Marcos 14:32-35.





















AS PEDRAS FALAM: APOCALIPSE

(Digo-vos que, se estes se calarem, as próprias pedras clamarão)

ÉFESO: Apocalipse 2:1-7
No final do primeiro século da era cristã, Éfeso era a quarta maior cidade do Império Romano. Dizia-se com propriedade "não falta nada"; teatro, cultura greco-romana muito desenvolvida. O santuário do Esculálio era um famoso centro médico, era a grande Universidade de medecina da época. O médico Galen era originário desta cidade pelos seus conhecimentos e fama tornou-se o médico da corte do Imperador Marco Aurélio em Roma.
Apreciem a primeira foto, portal monumental ficava numa das saídas do mercado. Foi construído entre 4 e 2 a.C.
É a primeira cidade a ser mencionada nas cartas do Apocalipse, o significado é evidente; crentes que aceitaram o Evangelho com pureza e vivência do mesmo de forma genuína e pura. Leiamos este texto: "Eu sei as tuas obras, e o teu trabalho, e a tua paciência, e que não podes sofrer os maus; e puseste à prova os que dizem ser apóstolos e o não são e tu os achaste mentirosos." Apoc. 2:2. Esta deveria ser atitude de todo o crente "A Lei e ao Testemunho! se eles não falarem segundo esta palavra, nunca lhes raiará a alva." Isaías 8:20






ESMIRNA: Apocalipse 2:8-11
Esmirna era uma cidade portuária o que significava naquele tempo COMÉRCIO. Era também um local de concentração de povos que vinham de longe e de perto com os seus produtos para serem embarcados para outros destinos no mar Mediterâneo. Como cidade era considerada a mais bela de toda a região pela graciosidade das suas colunas , o mercado público, as festas ao deus Dionisio que atraia multidões vindas de toda a parte da Ásia Menor. O cristianismo apesar de todo o paganismo encontrou caminho para o coração dos homens e mulheres e ali se formou uma comunidade cristã magnífica. Eram zelosos e amigos da verdade. Há um texto que vamos dar relevo que diz: "Nada temos das coisas que hás de padecer. Eis que o diabo lançará alguns de vós na prisão, para que sejais tentados; e tereis uma tribulação de dez dias. Sê fiel até à morte, e dar-te-ei a coroa da vida." Apoc. 2:10

Estas sete igrejas são representativas da Igreja Cristã ao longo dos séculos, aqui é profetizado que a Igreja passaria um perído de "dez dias" de grande tribulação. Este período (dia/ano) refere-se aos dez anos de perseguição movidos aos cristãos pelo Imperador Diocleciano de 303-313 da nossa era.




PÉRGAMO: Apocalipse 2:12-17
Pérgamo é uma cidade de largas ruas, templos, (templo a Dionísio) santuários e teatro. Era a maior cidade do Oeste da Ásia Menor nos tempos do Novo Testamento. Situada a 26 quilómetros do mar Egeu. Era uma cidade de estudo da medecina, foi centro administrativo da Provincia da Ásia. Teatro com 80 fileiras de assentos e podia receber 10.000 pessoas na apresentação de concertos musicais.




TIATIRA: Apocalipse 2:18-29
Foi uma cidade de artesãos, faziam roupas de linho e algodão, a particularidade era a forma formidável como tingiam de vermelho ou de púrpura. Havia também trabalhadores em bronze, oleiros, famosa era esta cidade pela qualidade do seu pão. Infelizmente o império Romano tinha nesta cidade um centro significativo de venda de escravos. Parece ser também uma cidade onde a comunidade cristã é pouco zelosa, são permissivos, prova disso são estas palavras: "Tenho contra ti que toleras Jezabel, mulher que se diz profetiza, ensine e engane os meus servos, para que se prostituam e comam dos sacrifícios da idolatria." Apoc. 2:20.

SARDES: Apocalipse 3:1-6.
Era uma cidade importante nela vivia uma enorme comunidade judaica. Estas fotos mostram a beleza, o trabalho artistico, só compararável à grande Atenas. Os cristãos iniciaram a proclamação do Evangelho entre os prosélitos judeus e também à população autóctone. Esta igreja faz parte das sete igrejas do Apocalipse, igrejas históricas, pelas suas caracteristicas tornaram-se simbolos da igreja cristã ao longo dos séculos. Ficamos com este texto: "O que vencer será vestido de vestes brancas, e de maneira nenhuma riscaei o seu nome do livro da vida; e confessarei o seu nome diante de meu Pai e diante dos seus anjos." Apocalipse 3:5




Filadélfia: Apocalipse 3:7-13
Cidade que se situava no sopé de um planalto. Esta cidade terá sido fundada pelos reis de Pérgamo como um posto de proteção do rei reino por volta do século II a.C. No tempo do Novo Testamento, Filadélfia fazia parte da Provícia Romana da Ásia. A cidade foi destruída por um terramoto no ano 17 d.C., e reconstruída por ordem do Imperador Tibério. Aqui se formou uma maravilhosa comunidade de crentes e encontramos um conselho de Deus que nos é ainda útil: "Porquanto guardaste a palavra da minha perseverança, também eu te guardarei da hora da provação que há de vir sobre o mundo inteiro, para pôr à prova os que habitam sobre a terra. Venho sem demora; guarda o que tens, para que ninguém tome a tua coroa." Apoc. 3:10,11.




Laodiceia: Apocalipse 3:14-22
Cidade que se situava no principal entroncamento das estradas que atravessavam a Ásia Menor, hoje região ocupada pela Turquia. A cidade situava-se numa zona motanhosa, os vales eram ricos e férteis. Laodiceia era uma cidade de águas curativas, fontes de águas frias e fontes de águas mornas não distavam umas das outras. Era pois uma cidade termal, procurada pelos mais abastados que aí recuperavam a sua saúde. Alguns dos vestígios dessa cidade berço do cristianismo.


ARQUEÓLOGOS ALEMÃES ENCOTRARAM O PALÁCIO DA RAINHA DE SABÁ NA ETIÓPIA


Local pode ter abrigado a Arca da Aliança e as tábuas com os Dez Mandamentos.Localização era um dos maiores mistérios da Antiguidade.


Arqueólogos alemães encontraram os restos do palácio da lendária rainha de Sabá na localidade de Axum, na Etiópia, e revelaram assim um dos maiores mistérios da Antiguidade, segundo anunciou a Universidade de Hamburgo.

"Um grupo de cientistas sob direcção do professor Helmut Ziegert encontrou durante uma pesquisa de campo realizada durante a Primavera o palácio da rainha de Sabá, datado do século X antes de nossa era, em Axum-Dungur", destaca o comunicado da Universidade.

A nota diz que "nesse palácio pode ter estado durante algum tempo a Arca da Aliança", onde, segundo fontes históricas e religiosas, foram guardadas as tábuas com os Dez Mandamentos, que Moisés recebeu de Deus no Monte Sinai.

Os restos da casa da rainha de Sabá foram achados sob o palácio de um rei cristão.

"As investigações revelaram que o primeiro palácio da rainha de Sabá foi transferido após a sua construção, e levantado de novo orientado para a estrela Sirius", dizem os cientistas.

Os arqueólogos acreditam que Menelik I, rei da Etiópia e filho da rainha de Sabá e do rei Salomão, foi quem mandou construir o palácio nos lugar primitivo.

Os arqueólogos alemães disseram que havia um altar no palácio, onde provavelmente ficou a Arca da Aliança, que, segundo a tradição, era um cofre de madeira de acácia recoberto de ouro.

As várias oferendas que os cientistas alemães encontraram no lugar onde provavelmente ficava o altar foram interpretadas pelos pesquisadores como um claro sinal de que a relevância especial do lugar foi transmitida ao longo dos séculos.

A equipa do professor Ziegert estuda desde 1999, em Axum, a história do início do reino da Etiópia e da Igreja Ortodoxa Etíope.

"Os resultados actuais indicam que, com a Arca da Aliança e o judaísmo, chegou à Etiópia o culto a Sothis, que foi mantido até o século VI da nossa era", afirmam os arqueólogos.

O culto, relacionado à deusa egípcia Sopdet e à estrela Sirius, trazia a mensagem de que "todos os edifícios de culto fossem orientados para o nascimento da constelação", explica a nota.

O comunicado também diz que "os restos achados de sacrifícios de vacas também são uma característica" do culto a Sirius praticado pelos descendentes da rainha de Sabá.

OUTROS MAPAS BÍBLICOS





















MAPAS DO MUNDO BÍBLICO












NOVAS DESCOBERTAS SOBRE OS PATRIARCAS

Hoje conhecemos a língua, a religião, os rituais, graças aos textos encontrados em Nuzi, sobretudo os costumes sociais e Jurídicos. A eles se deve o conhecimento da vida urbana, a arquitectura mais evoluída, o amplo uso do metal, as novas formas de cerâmica, postas a descoberto pela arqueologia em todo o Médio Oriente.

A cidade era povoada pelos Hurrianos, os desde longos tempos desaparecidos Horreus, e os Jebuseus do Antigo Testamento. Os Hurritas eram rudes montanheses que desciam dos montes Cáucaso, atraídos pelas férteis planícies da Mesopotâmia e, talvez, já impelidos por povos Arianos, provenientes do Oriente. É um dos grandes méritos da arqueologia moderna o ter possibilitado conhecimentos sobres os invasores, que de 1700 a 1400 A. C, parecem ser a força principal da Ásia Ocidental e os principais intermediários entre a cultura Suméria-Acádica da Mesopotâmia e do Ocidente.

Os patriarcas provinham desta região do país, e tinham vivido em Harã que era predominantemente Hurrita e Horréia. Mantiveram-se em contacto com estas civilizações durante muitas gerações subsequentes, e devido à falta de leis e costumes próprios por que não se havia escrito o Antigo Testamento, identificam-se muitas vezes com as leis desta região.


A arqueologia do Antigo Oriente, aliás, encarregou-se de confirmar a historicidade das tradições patriarcais. Embora não nos tenha fornecido nenhuma informação directa sobre as vicissitudes dos patriarcas, demonstrou-se, porém, que elas não só se enquadram perfeitamente na história oriental do segundo Milénio A.C., como concordam com os hábitos Sociais e Jurídicos do tempo.A atenção dos estudiosos dirigiu-se, sobretudo a 4000 tábuas cuneiformes, procedentes dos grandes arquivos familiares, escritas em língua acádica, com profundos influxos hurríticos. Com elas pode-se reconstruir o ambiente social e familiar daquela população que viveu em 1400 A. C, e que é muito semelhante à dos patriarcas Hebreus, relatados no Antigo Testamento.

Muito interessantes são os elementos sedentários que os patriarcas hebraicos receberam das populações com que entraram em contacto na alta Mesopotâmia são conhecidas e não relatadas na Bíblia, mas pela exploração arqueológica. O Antigo Testamento fornece-nos a vida do povo de Canaã: Habitantes de Siquém, incircuncisos e por isso não Cananeus (Gén 34:14), denominados Heveus (Gén 34:2) pelo texto Massorético e Hurritas pela versão grega dos Setenta; vem em seguida os habitantes de Hebron e dos arredores chamados Hititas.
Alguns costumes encontrados na antiga cidade de Nuzi pode ser comparado com costumes bíblicos. Entre eles, cinco serão destacados:

(1) O intercâmbio de propriedade, onde todas as transacções tinham a ver com a transferência de propriedade, eram anotadas testemunhas, seladas, e proclamadas na porta da cidade (Gén 23:10-18.

(2) Os contratos matrimoniais, onde incluíam uma declaração de que se podia presentear a recém-casada com uma criada como foi o caso de Lia e Raquel (Gén 29:24,29). O contrato continha um dispositivo que obrigava a uma empregada sem filhos proporcionar a seu esposo uma criada que pudesse Ter filhos como Sara deu Agar a Abraão (Gén 16:3), e Raquel deu Bila a Jacó (Gén 30: 3-6).

(3) A adopção era praticada em Nuzi quando um casal sem filhos adoptava um filho para que este cuidasse deles enquanto vivessem, os sepultassem quando morresse e fosse herdeiro de seu património. Especificavam, porém que se chegasse a Ter filho legítimo, o filho adoptivo perderia seus direitos de herdeiro. Isto parece explicar a adopção de Eliezer como herdeiro por parte de Abraão, antes do nascimento de Isaque, e a mudança subsequente quando o senhor prometeu que lhe nasceria um filho legítimo e este seria seu herdeiro (Gén 15:2-4).

(4) O direito de primogenitura é apresentado em Nuzi como fora de regra também, assim como Jacó recebeu as bênçãos de seu irmão Esaú.

(5) Herança. Em Nuzi existia uma lei no sentido de que a propriedade e a liderança da família podia ser passada ao esposo de uma filha, sempre e quando o pai tivesse entregue seus ídolos familiares ao genro. Assim quando Labão alcançou Jacó e buscou euforicamente em seu acampamento os ídolos familiares, não pode encontrar por que Raquel havia tomado os ídolos do lar, e os tinha escondido e assentado sobre ele (Gen 31:30-35).EscavaçõesAs escavações americanas foram feitas de 1925 a 1931, dirigidas por E. Chiera, E. A. Speiser, R. H. Pfeiffer, R. S. Starr, revelaram doze estratos, que vão da idade calcolítica (4500 A. C) até bronze recente (1500 ?1200 A. C). Um palácio só parcialmente escavado é constituído por um grande pátio central, em torno do qual encontra-se salas de visita, quartos privados, ofícios, armazéns; um templo inicialmente formado por uma cela mostra sete reconstruções.

Do palácio e das quintas privadas, ou casa de gente endinheirada, a equipe de arqueológicos recuperou 20.000 tábuas de argila, que haviam sido escritas por escribas hurrianos na língua cuneiforme babilónica, mas com o emprego ocasional de palavras nativas dos Horreus e dos Hurritas. As tabuinhas consistem de contas comerciais, contratos, informes e sentenças judiciais que revelam o estilo de vida das principais famílias durante quatro ou cinco gerações. É extraordinária a forma como os paralelos entre as narrações patriarcais de Génesis e os costumes e as condições sociais destes povos sustentam precisão histórica da Bíblia.

Vestígios Foram encontrados alguns vestígios em Nuzi, que comprovam por meio das descrições, conceitos usados pelos patriarcas.Vamos analisar primeiro o caso da adopção. Em Nuzi deu-se a mesma possibilidade de que a mulher estéril tivesse filhos da própria escrava: naturalmente com a consequência de não estar mais autorizada a expulsá-los de casa. Uma tabuinha expressa-se da seguinte maneira: “Kelim-Ninu foi dada em esposa a Serima. Se Kelim-Ninu lhe der a luz filhos, Serima não tomará outra mulher da região de Lulu, para a esposa de Serima, e Kelim-Ninu não poderá exortar a que chegou”Dentro desses contratos matrimoniais, incluíam uma declaração que podia-se entregar uma criada para facilitar a vida da casada. É o caso de Lia e Raquel encontrada em Gênesis 29:24. O contrato dizia que obrigava uma esposa sem filhos proporcionar a seu marido uma criada que pudesse gerar um filho, como o exemplo de Sara proporcionado Agar para Abraão (Gén 30:3-6).

Às vezes nascia ao casal um filho legítimo depois que tiveram adoptado um menino. Os costumes de Nuzi antecipavam esta eventualidade ao determinar que um filho adoptivo seria subordinado ao filho legítimo em tais circunstâncias. Podemos ver um caso semelhante: Ismael nasce e quita a Eliezer de sua posição de principal herdeiro, e mais tarde o nascimento de Isaque à esposa de Abraão lhe dava a prioridade sobre Ismael, o filho da escrava.

Há um vestígio importantíssimo, explicando tal citação: “Se me nascer um filho, ele será o primogénito e receberá duas porções. Mas se a mulher de Akabshenni der a luz a dez filhos, então todos serão os herdeiros) maiores, Shelluni torna-se herdeiros secundários) Hss v7.”

Outro exemplo da importância das descobertas em Nuzi é os relatos antes da morte. Podemos destacar a expressão ouvida dos lábios do velho Isaque: “Estou velho e não sei quando vou morrer (Gen 27:2)”, era em Nuzi uma forma técnica, que acompanhava uma solene declaração e possuía determinadas finalidades socil-jurídicas; ela exprimia a última vontade de um homem antes de sua morte. “As decisões do pai no leito da morte tinham em Nuzi importância especial Certo Tarmiya apresenta-se aos Juízes e diz: “Meu pai tomou meu caso, os filhos mais velhos casaram, tu, ao invés, não. Por isso dou-te por esposa Sululi-Ishtar” (AASOR, XVI, 56)”
Nuzi apresenta outros vestígios, porém os de mais relevância para esclarecimentos Bíblicos foram já citados.

Esta pesquisa não é um apoio aos actos ético-jurídicos cometidos pelos patriarcas bíblicos, mas sim uma comprovação histórica pela arqueologia que eles existiram.

A ÉPOCA DOS JUÍZES EM ISRAEL

Partilha dos paí no
tempo dos Juízes.
As Tribos Instalam-se: A conquista da Terra Prometida realizou-se em duas fases. Num primeiro tempo, foram dirigidos ataques breves, mas violentos, contra a zona centro de Canaã, depois contra o Sul e o Norte do país. Houve algumas batalhas, mas tanto a Bíblia como os dados arqueológicos dão a impressão de que muito poucas cidades foram destruídas durante esta fase.
Os invasores israelitas, claramente, não estavam decididos a expulsar definitivamente os cananeus nem a tomar as suas cidades. Limitaram-se a uma demonstração do seu poderio através de campanhas-relâmpago, depois das quais voltavam para o seu acampamento principal.
A segunda fase, que começou depois da atribuição, feita por Josué, de um território a cada tribo, constituiu a verdadeira tomada de posse do país. Esta fase durou cerca de 350 anos e corresponde ao período dos Juízes. Cada tribo tentou expulsar progressivamente os autóctones e apoderar-se das suas cidades. As proezas de Sansão ilustram as tentativas da tribo de Dã, mas esta sofreu uma derrota (Juízes 14:16; ver também Juízes 18, que conta que as tribos abandonaram o território que lhes tinha sido atribuído para migrarem para outra região).
Seguindo estes dados bíblicos, deveríamos encontrar os lugares de ocupação israelita mais antigos nas regiões onde viviam poucos cananeus. Estudos arqueológicos muito recentes confirmaram isso. A presença das colónias israelitas mais antigas foi encontrada nas regiões acidentadas, onde não existiam cidades cananeias. Estas últimas situavam-se, sobretudo, na planície.
Da Vida de Nómada para a vida Sedentária.
Escavações da primeira casa israelita.
A Bíblia descreve os patriarcas como sendo pastores que seguiam os seus rebanhos por todo o país de Canaã. Chegados ao Egipto, ao país de Gosen, os israelitas conservaram esse estilo de vida. Mesmo durante o período da escravatura, as mulheres e as crianças continuaram a ocupar-se do gado. Na altura do Êxodo, os escravos fugitivos levaram os seus rebanhos. Durante o seu deambular pelo deserto, que durou 40 anos, viveram como pastores nómadas, procurando continuamente novas pastagens para o seu gado.
Segundo a Bíblia, os israelitas eram pastores que não dominavam a agricultura e que não estavam habituados a viver em cidades. Mas a promessa de Deus deu-lhes a certeza de que iriam ocupar um dia as terras férteis de Canaã para aí cultivarem as suas próprias vinhas e os seus próprios pomares. Portanto, só podemos esperar encontrar vestígios de agricultura muito tempo depois do Êxodo. Eles precisaram, de facto, de um certo tempo para se familiarizarem com a agricultura e cultivarem as terras de modo lucrativo.
Também não devemos esquecer que os israelitas tiveram que se instalar em regiões arborizadas ainda não desbravadas. A Bíblia assinala a presença de muitos animais ferozes (Deuteronómio 7:22). Tudo isso implica que os israelitas tiveram que trabalhar a terra ao mesmo tempo que construíram muros de protecção contra as feras. Por isso, não é de estranhar que a instalação definitiva tenha sido um processo bastante lento. Embora a Bíblia não o afirme de modo explícito, pinta-nos o quadro de um grupo de pastores que evoluíram lentamente para um estilo de vida mais agrário.
A questão importante é sabermos se as descobertas arqueológicas confirmaram esta imagem. Os dados mais recentes vão, com efeito, nesse sentido. Segundo a cronologia bíblica, a conquista de Canaã começou por volta de 1400 a.C. Os primeiros vestígios do estabelecimento dos israelitas neste país datam de um pouco antes de 1200 a.C. Isso quer dizer que o processo de transição de uma vida nómada para uma vida sedentária se alargou a um período de cerca de dois séculos.
O relato bíblico vê-se confirmado pelas descobertas feitas no terreno. Estas dizem respeito, geralmente, a pequenos aglomerados (três ou quatro casas) com campos rodeados de muros, uma paisagem que corresponde ao que lemos na Bíblia. Em vários lugares foram encontrados utensílios agrícolas que data desta época, assim como silos para provisões, onde os produtos da colheita eram conservados.
Escavações importantes, forneceram
informações interessantes acerca
das fortificações das
cidades
Já foram descobertos várias destas colónias nas colinas perto de Jerusalém, outras se seguirão, provavelmente. A Norte de Jerusalém, os membros da tribo de Benjamin transformaram algumas casas numa aldeia com excesso de população. Ao estudar os objectos de cerâmica e outros encontrados no local, os pesquisadores chegaram à conclusão de que os habitantes viviam na pobreza e que, em vários aspectos, eram menos avançados do que os autóctones da época. Por não terem uma longa história de sedentarismo, os israelitas não beneficiavam nem de prosperidade nem das tradições artísticas e culturais que caracterizam, geralmente, uma civilização desse tipo.
Em Ai, os arqueólogos puseram a descoberto um tipo de arquitectura muitas vezes considerado como sendo específico dos israelitas. Ainda que fosse conhecido de outros povos, este tipo de construção encontra-se, sobretudo, nas colónias israelitas. Cada casa era composta por quatro divisões rectangulares, três contíguas e uma quarta que acompanhava as outras em comprimento. A segunda divisão era, provavelmente, um pátio interior onde se desenrolavam as actividades diárias. Pelo menos uma das outras duas divisões estava separada desse pátio por uma filha de colunas ou pilares. Talvez se tratasse de um abrigo destinado aos animais domésticos. Os ricos construíam um segundo andar que cobria uma parte da casa. Certas famílias que não dispunham de meios suficientes tinham de se contentar com uma versão mais modesta de três divisões. Este tipo de casa é facilmente identificado pelos arqueólogos graças aos pilares. São típicas das primeiras colónias israelitas.
A água … uma problema a resolver.
Cerâmica israelita do
período 1500-1000
a.C.
Um segundo lugar, Radanna, situado a Leste de Ai, é muito parecido com esta cidade. Numa das casas, tinha sido cavado um buraco na rocha para conservar a água recolhida durante os meses chuvosos de Inverno. Essa água era extremamente útil durante a estação seca. No passado, as casas tinham sido sempre construídas perto das fontes de águas, de ribeiros ou rios. Mas, na Palestina, as rochas são bastante porosas e não conservam a água durante muito tempo. A descoberta destes reservatórios típicos das casas israelitas sugere que estes tinham aprendido a dominar uma nova técnica.
Nos tempos antigos, já se conhecia o reboco, mas só nas casas dos primeiros colonos israelitas no país de Canaã é que se encontrou o reboco utilizado para impermeabilizar estes reservatórios. Não sabemos ao certo se foram os israelitas que inventaram este processo, mas, em todo o caso, parecem ter sido eles os primeiros a utilizá-lo quando se instalaram nas colinas da Palestina. A partir de então, tornou-se possível construir casas praticamente em todas as colinas. Graças a esses reservatórios forrados de reboco, o abastecimento de água deixou de ser um problema, o que permitiu aos israelitas estabelecerem-se nos lugares onde os cananeus não tinham ousado instalar-se. É verdade que a água devia ter um sabor horrível depois de uma longa conservação. No entanto, este processo ainda hoje é usado em certas aldeias. A sede faz esquecer o sabor…
Casas típicas de quatro divisões,
em Berseba, na fronteira
no Neguev.
 Também foram encontradas casas de quatro divisões com reservatório de água em Izbet Sartah, a noroeste de Jerusalém, na parte ocidental das colinas. Mas, neste lugar, foi descoberto um outro elemento de grande importância: um ostracon (pedaço de cerâmica com uma inscrição) com o texto hebraico mais longo encontrado até esse momento. Infelizmente, não se trata de uma mensagem clara, mas, provavelmente, de tentativas desajeitadas de um aluno que queria escrever o alfabeto. No entanto, essa inscrição tem a sua importância: mostra-nos que, apesar da sua pobreza relativa e da sua pouca cultura, os israelitas aprendiam a ler e a escrever. Isso confirma o relato de Juízes 8:14, onde se pode ler que um menino israelita escreve informações dirigidas a Gideão.
O quarto lugar está localizado a sudoeste de Jerusalém, em Gilo. Ainda se podem ver ali os muros que rodeavam os campos. Em cada campo tinha sido construída uma casa. Cada família possuía, portanto, um campo próximo da casa, o que facilitava bastante a protecção do gado e o trabalho agrícola. O inconveniente era que essas ´quintinhas´ eram muito vulneráveis em face dos inimigos. Pouco tempo depois da chegada dos israelitas àquela região, os filisteus vieram atacá-los nas colinas. Isso provocou mudanças na concepção dos aglomerados habitacionais.
As primeiras aldeias.
A cerâmica e os objectos
metálicos.
Uma das primeiras aldeias israelitas estava situada no Neguev, perto de Berseba. Escavações muito recentes permitiram descobrir aí uma espécie de cidade israelita. Nesse local, em Tel Masos mais exactamente, foi encontrado um grande número de casas de quatro divisões tipicamente israelitas (com variantes), que formavam um aglomerado cujas dimensões são sãs de uma cidade da Antiguidade. Pormenor notável: esta ´cidade´ não era protegida por uma muralha. Nesta região, foram encontradas muito poucas casas desta época, de outros estilos. Só uma ou duas casas parecem ter sido construídas no estilo egípcio desse período e pelo menos um dos outros edifícios parece ter tido uma função pública.
Um estudo intensivo deste local demonstrou que a repartição das divisões nas casas israelitas mais antigas era muito semelhante à das tendas dos beduínos em que os israelitas tinham vivido durante séculos. Tudo leva a crer que a casa típica de quatro divisões deriva dessas tendas. Estamos, portanto, perante uma confirmação arquitectural da imagem dada pela Bíblia, a saber, a evolução lenta e progressiva de uma sociedade nómada para uma sociedade sedentária e agrária.
A cerâmica e os objectos metálicos que os israelitas fabricaram localmente eram idênticos aos utilizados pelos cananeus desta região. O povo de Israel assimilou, portanto, muito rapidamente alguns elementos da cultura cananeia e copiou os utensílios. Os antropólogos afirmam que uma evolução cultural desse tipo abarca várias gerações, e pode demorar mesmo dois séculos. Tel Masos confirma não só a ideia bíblica de um processo progressivo de instalação, mas também a cronologia bíblica, que situa a primeira fase da conquista cerca de duzentos anos antes das primeiras colónias israelitas.

ISRAEL E OS FILISTEUS

Observem estes dois vasos
o segundo é Cretense, este é
filisteu.
Segundo a Bíblia, os filisteus eram oriundos de Caftor, lugar identificado com a ilha de Creta. As descobertas vieram confirmar essa afirmação. Algumas encontradas em lugares onde habitavam os filisteus parecem-se muito com um tipo de escrita grega. Mas é a sua cerâmica que fornece o primeiro indício dessa origem. Essa cerâmica está pintada da mesma maneira que a cerâmica da Creta minóica. A civilização minóica foi destruída pouco antes do aparecimento dos filisteus em Canaã. Por isso, não +e impossível que os filisteus sejam sobreviventes desse célebre império minóico. Isso concorda, também, com as informações fornecidas pelo Egipto, a respeito dos filisteus. Entre estas, figura a descrição pormenorizada de um exército que, com a ajuda de barcos, desceu ao Egipto para invadir o país. Os egípcios falavam dos “povos do mar”.
Estes foram vencidos pelo exército egípcio e expulsos para o Sul da Palestina. Dois desses grupos, entre os quais os filisteus, instalaram-se nessa região.
deus peixe, o deus nacional
dos filisteus, vejam como
as tradições têm raízes
tão profundas.
Os filisteus fundaram cinco cidades principais no sudoeste da Palestina, considerado durante todo o período bíblico como o seu país de habitação: Gate, Ecrom, Asdode, Asquelom e Gaza. À excepção de algumas particularidades, parece que os filisteus adoptaram a cultura e o estilo de vida dos cananeus. Em muitas casas, foram descobertas muitas vasilhas de cerveja feitas em barro, o que sugere que eles gostavam da bebida. Isso não é estranho para o estudante da Bíblia que leu o episódio de Sansão, o juiz que não rejeitava as festas.
Foram os filisteus que introduziram o saber-fazer no trabalho com os metais. Foi especialmente o ferro que fez a sua entrada com a chegada dos filisteus. Segundo 1ª Samuel 13:19-22, os filisteus possuíam o monopólio da metalurgia. Nas regiões habitadas pelos filisteus, os objectos metálicos encontrados são muito mais numerosos do que nas primeiras colónias israelitas.
Dado que habitavam perto do Egipto, os filisteus mantinham laços estreitos com os seus vizinhos. Temos indícios que fazem pensar que, de tempos a tempos, eles serviam no exército egípcio como mercenários. Essa ligação estreita influenciou a cultura palestiniana em certos domínios. A influência egípcia é evidente no modo de enterrar os mortos. Perto de Dier el-Balah, não longe de Gaza, foi descoberto um grande cemitério, onde tinham sido enterrados os soldados egípcios de uma guarnição estacionada nesse lugar pouco antes da chegada dos filisteus… tinham sido sepultados em caixões de cerâmicas. Na tampa, tinham sido esculpidos o seu rosto e os seus braços, obtendo, assim uma versão rudimentar de um sarcófago semelhante ao de Tutankamon. Depois deles, os filisteus continuaram a enterrar os seus mortos da mesma maneira.
Por vezes, foi extremamente difícil distinguir os túmulos filisteus dos sepulcros egípcios. Tratava-se, provavelmente, de soldados filisteus que serviam no exército egípcio.
A Bíblia descreve os filisteus como um povo bélico. Esta indicação é confirmada pela pressa que mostravam em alistar-se no exército egípcio logo que as guerras escasseavam no seu próprio país…

A EXPANSÃO DAS CIDADES EM ISRAEL

A ameaça militar dos filisteus constituiu um perigo constante para as pequenas colónias agrárias israelitas situadas nas colinas. Um aglomerado protegido apenas por um muro de terra era uma presa fácil. Por isso, os seus habitantes acabaram por deixar essas colónias para construir cidades e aldeias maiores. Também foram construídas fortificações mais importantes, capazes de resistir aos ataques e infra-estrutura destinadas a alojar um contingente importante de homens válidos. Marjama, a Norte de Jerusalém, era uma cidade desse tipo. Também poderíamos citar Siquém, Gesur, Betel, Babaon, etc., cidades mais ou menos grandes, habitadas continuamente desde o tempo dos reis de Israel até à sua destruição pelos babilónios.
Ruínas de Betel
Embora os camponeses tivessem frequentemente que percorrer longas distâncias para irem cultivar os seus campos – no tempo das colheitas, muitas vezes passavam lá a noite – essa urbanização teve um efeito positivo sobre o seguimento da conquista do país. Os pequenos campos trabalhados aqui e ali já não eram suficientes. A necessidade de terras agrícolas mais vastas estimulou a continuação da expulsão dos cananeus. 

A UNIVERSIDADE HEBRAICA ANUNCIA DESCOBERTA DE DOCUMENTO COM 3.400 ANOS.

A Universidade Hebraica de Jerusalém divulgou a descoberta de um pequeno pedaço de argila de aproximadamente 3,4 mil anos. Segundo a instituição, o objecto foi descoberto nas muralhas da cidade antiga e é o documento escrito mais antigo da história de Jerusalém.
Os cientistas acreditam que o fragmento fazia parte de uma tabuleta que, por sua vez, pertencia aos arquivos reais da época da Idade do Bronze, muito antes de a cidade ser conquistada por David.
O fragmento é muito pequeno, com 2 cm por 2,8 cm, e contém símbolos cuneiformes do idioma acádio. Os cientistas afirmam que os significados das palavras não têm grande importância (os pesquisadores traduziram palavras como “você”, “onde”, “tarde” e outras), ao contrário da sua forma, de grande nível, o que indica ter sido escrita por um escriba muito hábil o que, por sua vez, indica que documento pertenceu à realeza da época. Contribui para essa hipótese um exame que indica que a argila da tabuleta é da região de Jerusalém, e não de outro reino da época.
Ainda de acordo com a universidade, o fragmento é cerca de 600 anos mais velho que o documento que até então era considerado o mais antigo. O pedaço de argila indica ainda, segundo os cientistas, que Jerusalém era uma cidade importante durante a época, o que vai contra o que se acreditava até agora, de que esse centro urbano só foi ganhar importância anos mais tarde.

Israelitas descobrem tesouro da época do Império Romano
A maior colecção de moedas raras já encontrada em uma escavação científica do período da revolta judaica de Bar-Kokhba contra os romanos foi descoberta em uma caverna por pesquisadores da Universidade Hebraica de Jerusalém e da Universidade Bar-Ilan.
As moedas foram encontradas em três lotes, em uma caverna localizada na reserva natural das montanhas da Judeia. O tesouro inclui moedas de ouro, prata e bronze, assim como armas e cerâmica.

A descoberta foi feita durante a pesquisa e mapeamento da caverna realizada por Boaz Langford e Amos Frumkin, da unidade de pesquisa de cavernas do departamento de geografia da Universidade Hebraica, juntamente com Boaz Zissu e Hanan Eshel da Universidade Bar-Ilan.
As cerca de 120 moedas foram descobertas dentro de uma caverna que tem uma “ala escondida”. A abertura dessa ala levou a uma pequena câmara que, por sua vez, se abre para uma sala que servia de esconderijo para os combatentes judeus de Bar-Kochba.
A maior parte das moedas descobertas está em excelentes condições. Elas eram prensadas por cima das moedas romanas pelos rebeldes. As novas marcas mostram imagens judaicas e palavras (por exemplo, a fachada do Templo de Jerusalém e o slogan “para a liberdade de Jerusalém”).
Outras moedas encontradas, de ouro, prata e bronze, são moedas romanas do período e cunhadas em outras partes do império romano ou em Israel.

AS CONSTRUÇÕES DE SALOMÃO

Mesquita de Omar, com um exemplo de
reconstrução do templo de
Salomão.
Sabemos muito pouco sobre as realizações arquitectónicas de David. Preocupado com a expansão do seu reino, restava-lhe, certamente, pouco tempo para construir. As grandes construções só são possíveis em tempo de paz. Essa paz foi parte da herança deixada por David ao seu filho Salomão, que recolheu os frutos dos esforços do seu pai. Assim, Salomão pôde consagrar uma parte importante do seu tempo a cultivar a sabedoria, a arte e a estética. O modo como ele evidenciou a grandeza da sua monarquia oriental foi imortalizada num provérbio.
Há indícios bíblicos e arqueológicos que nos indicam que, para tornar possível esse fausto, o povo devia ser pesadamente tributado. Isso pode ver-se claramente em 2ª Reis 12, que conta o acesso ao trono de Roboão, o filho de Salomão. As tribos do Norte do país recusaram reconhecer Roboão, uma vez que ele tinha a intenção de lhes impor um jugo tão pesado como o do seu pai Salomão. Aparentemente, as exigências de Salomão suscitavam um descontentamento cada vez maior.
Os arqueólogos que estudam o período de unificação do Reino servem-se de dois versículos bíblicos como ponto de partida das suas investigações. Em 1ª Reis 9:15 podemos ler: “E esta é a causa do tributo que impôs o rei Salomão, para edificar a Casa do Senhor, e a sua casa, e Milo, e o muro de Jerusalém, como também a Hazor, e a Megido, e a Geze.” 1ª Reis 9:19 acrescenta: “…e todas as cidades das munições que Salomão tinha, e as cidades dos carros, e as cidades dos cavaleiros, e o que o desejo de Salomão quis edificar em Jerusalém, e no Líbano, e em toda a terra do seu domínio.” O que Ramsés II foi para o Egipto, foi-o Salomão para Israel. A Bíblia afirma que Salomão tomou a iniciativa de numerosas construções. Esse facto é confirmado pelas descobertas arqueológicas, como veremos no decorrer deste estudo.
1. O Templo de Salomão.
As numerosas escavações feitas em Jerusalém não permitiram descobrir os vestígios do templo de Salomão. Geralmente, presume-se que esse templo foi construído sobre o terreno rochoso mais elevado, onde se situa actualmente a Mesquita de Omar. O templo de Salomão foi destruído em 586 a. C., na altura da tomada de Jerusalém pelos babilónios. Os vestígios foram, provavelmente, totalmente eliminado pelos construtores posteriores, como Zorobabel e Herodes. Alguns arqueólogos chamaram a atenção para uma fissura na alvenaria perto da extremidade Sul do muro da esplanada do templo e sugerem que essas pedras podem datar do tempo de Salomão. Mas não dispomos de nenhuma prova que confirme essa hipótese.
A partir de 1ª Reis 6 e 7, onde podemos ler uma descrição pormenorizada do templo, numerosos pesquisadores tentaram realizar uma maqueta. Hoje, é possível termos uma ideia relativamente fiável do templo.
Jerusalém no tempo
de Salomão.
2. O palácio de Salomão.
Tal como aconteceu com o templo, nada estou do grande palácio que Salomão mandou construir em madeira de cedro. As informações fornecidas por 1ª Reis 7 permitem-nos supor que o palácio teria sido construído ao lado do templo, e que ainda era maior do que este. A construção do palácio demorou treze anos, enquanto que, para o templo bastaram sete anos. Tudo leva a crer que o templo fazia parte de todo o complexo ligado ao palácio, como era o caso em Tell Tayinat, na Síria. De todos os templos encontrados, é o que mais se assemelha ao templo de Salomão.
3. O Milo (2ª Sam. 5:9; 1ª Reis 9:15,24)
Em certas versões bíblicas, esta palavra não foi traduzida, porque os tradutores não chegaram a acordado quanto ao seu significado. É derivada de uma palavra que significa “encher”. “Milo” designaria, portanto, alguma coisa que se pode encher de um modo ou de outro. Depois de ter trazido à luz uma pequena parte da cidade antiga de Jerusalém nos anos sessenta, Kathleen Kenyon avançou a hipótese de que Milo fosse uma série de terraços formados por rochas, realizados ao longo das encostas da cidade velha. Esses terraços estavam “cheios” de uma grande quantidade de pedras, necessárias para o seu nivelamento. As escavações realizadas mais tarde pela Universidade Hebraica permitiram concluir que esses terraços tinham sido construídos depois da época de Salomão. No entanto, sob os terraços, foi descoberta uma barreira em pedra que data do tempo de Salomão e que servia para facilitar a defesa da cidade. é muito provável que esta barreira, cheia de pedras, fosse de facto, o Milo de Salomão. 
Base em bronze para uma bacia
destinada às purificações
rituais.
4. A metalurgia.
1ª Reis 7 descrevem vários objectos destinados ao templo e fabricados em cobre e noutros metais. O mais notável desses objectos foi, certamente, a bacia de latão fabricada numa só peça. Com os seus cinto metros de diâmetro, este exemplo de habilidade metalúrgica suscitaria ainda hoje a admiração. Um estudo recente das dimensões de outras especificidades desta bacia, descritas em 1ª Reis 7, pôs em evidência uma notável exactidão matemática. Era realmente necessária uma tecnologia avançada para conseguir esta proeza!
Em várias zonas do recinto do templo havia outras bacias mais pequenas, colocadas sobre bases. Uma delas, em bronze, datando desta época, foi encontrada em Tel es-Saidiyeh, no vale do Jordão. A base, ornamentada com romãs, é semelhante às das bacias descritas em 1ª Reis 7:38.
Muito antes deste tempo, tinham sido exploradas minas de metais e, principalmente, de cobre na península do Sinai. Os egípcios primeiro, depois os israelitas, utilizaram estas mins de cobre situadas perto de Timna, a alguns quilómetros a Norte do golfo de Acaba. Os vestígios mostram que o seu apogeu se deu no tempo de Salomão. A maior parte dos arqueólogos afirmam que os objectos citados em 1ª Reis 7 foram realizados a partir do cobre extraído restas minas. A fundição do minério fazia-se no próprio lugar, sendo depois o cobre transportado, para com ele se forjarem os objectos necessários ao templo.

Ostracon datando de
1000-800 a.C, com a
inscrição "Ouro de Ofir,
para Bete-Horom".
5. O comércio.
Os minérios foram, provavelmente, transportados por caravanas que pertenciam às autoridades. A Bíblia menciona o comércio lucrativo de Salomão com os povos vizinhos (1ª Reis 9:26-28). Os arqueólogos descobriram um número importante de cidades construídas no tempo de Salomão, que tinham muitos edifícios públicos, entre os quais havia vários claramente destinados à conservação de estoques. Tudo parece indicar que Salomão mandou construir essas cidades-armazém em lugares estratégicos em todo o país, a fim de permitir um transporte rápido das mercadorias. Numerosos ostracons (pedaços de objectos de barro contendo partes de textos) mais recentes foram identificados como sendo uma espécie de recibos para mercadorias transportadas de um depósito para outro. Um desses textos fala mesmo de Ouro de Ofir, como em 1 ª Reis 9:28.
 
Cidade de Megido
Maqueta da cidade de Megido,
de acordo com as descobertas feitas no lugar.
O comércio com o Egipto necessitava de longas viagens através do deserto do Sinai, onde as tribos nómadas agressivas espreitavam e pilhavam as caravanas. No reinado de Salomão, o Neguev, a região desértica ao Sul da Palestina, era protegido por uma rede de fortificações situadas ao longo dos itinerários seguidos pelas caravanas, a fim de preservar os interesses comerciais de Salomão e defender a fronteira Sul de Israel. Era nestas fortificações que os transportadores podiam passar a noite. Os soldados que aí estavam colocados tinham por missão proteger as caravanas contra os bandos de ladrões itinerantes. Assim, Salomão conseguiu, ao mesmo tempo, preservar os seus investimentos comerciais e aumentar a fama do seu reino.
6. Hazor, Megido e Gezer.Os dados arqueológicos mais espectaculares, relativos ao tempo de Salomão, vêm-nos das três cidades mencionadas em 1ª Reis 9:15: Hazor, Megido e Gezer. A história da descoberta arqueológica destas três cidades estende-se por um período de sessenta anos aproximadamente, a partir das primeiras escavações perto de Gezer, por volta de 1910, até às mais recentes, perto de Megido.
Já mencionámos as escavações feitas por R. A. S. Macalister perto de Gezer. A sua técnica era a habitual naquela época, mas o número limitado de supervisores teve como consequência que nem todas as descobertas foram registadas de modo satisfatório. No relatório final da sua campanha arqueológica, ele apenas pôde apresentar algumas provas a respeito da cidade de Salomão. Se a sua hipótese se tivesse revelado exacta, isso significaria que a afirmação bíblica de 1ª Reis 9:15, segundo a qual Salomão tinha mandado construir Gezer, estava errada.
Reconstrução de uma porta
em Hazor.
Quando se fizeram as escavações em Megido, nos anos trinta, foram descobertos muitos elementos relativos à época de Salomão. Esta cidade possuía muralhas, que incluíam várias casamatas (pequenas divisões fortificas, situadas entre as duas paredes das muralhas, que reforçavam as defesas). A porta da cidade, que fazia parte das muralhas, é considerada única na história da arqueologia. Geralmente, a porta era o elo fraco na fortificação de uma cidade. Para reduzir a sua vulnerabilidade, construía-se uma torre de cada lado da porta, assim como vários pequenos portões de acesso ao interior da mesma. A porta que Salomão mandou construir em Megido era ladeada por duas torres de cada lado da porta, assim como vários pequenos portões de acesso ao interior da mesma. A porta que Salomão mandou construir em Megido era ladeada por duas torres e munida de quatro portões internos (em vez dos dois ou três habituais). Tinha sido igualmente construída, de um lado e do outro de cada pequena porta interior, uma sala para os guardas. Um inimigo potencial teria, portanto, que atravessar quatro portões defendidos, cada um deles, por vários guardas.
Escavações em Hazor permitiram trazer
à luz uma porta datada da época de
Salomão semelhante à de Megido.
A parte Sul dos vestígios encontrados revela um grande edifício, constituído por um grande pátio, com varas salas longas e estreitas. Tratava-se das estrebarias da valaria de Salomão, mencionadas em 1ª Reis 9:19. ao lado das estrebarias encontrava-se um palácio imponente que servia, provavelmente, de residência a Salomão quando este estava fora de Jerusalém.
Um bom número de outros edifícios importantes, entre os quais um segundo complexo de estrebarias, a Norte da cidade, também datam do tempo de Salomão. Contrariamente às escavações realizadas perto de Gezer, as descobertas feitas em Megido confirmam fortemente o relato bíblico do reino de Salomão.
Nos anos cinquenta, foram deitas escavações em Hazor, a Norte do lago da Galileia, dirigidas por Yigael Yadin. A camada que datava da época de Salomão revelou uma porta que, pelas suas dimensões, pela sua forma e pelo seu estilo, era praticamente idêntica à encontrada em Megido. Isto sugere, não só que foram construídas na mesma época, mas também que foram obra do mesmo arquitecto. Talvez elas sejam o testemunho de um plano arquitectónico ambicioso de Salomão para as suas cidades reais (ver 1ª Reis 9:15).
Esta questão intrigante tornou-se ainda mais importante quando Yadin examinou de perto as suas descobertas. As semelhanças entre as portas de Hazor e de Megido eram demasiado evidentes para serem ignoradas. Então, interrogou-se sobre a possibilidade de, nas escavações realizadas antes em Gezer – de modo bastante negligente – se terem enganado na identificação de uma porta do tempo de Salomão. As semelhanças notáveis entre Hazor e Megido pareciam confirmar realmente o relato de 1ª Reis 9:15. Nesse caso, poderia presumir-se que Gezer estava munida de uma porta semelhante…
Em Megido e Gezer foram descobertas
construções semelhantes.
Ao estudar os relatórios de Gezer, Yadin notou que se fazia menção de uma construção perto das muralhas, identificada por Macalister como uma fortaleza do tempo dos Macabeus, ou seja, por volta de 150 anos a.C..Ficou impressionado por constatar que uma parte deste edifício tinha exactamente a mesma forma que metade das portas de Megido e de Hazor. Além disso, os desenhos indicavam mais ou menos as mesmas dimensões. Nesse preciso momento, uma equipa americana estava ocupada a fazer escavações em Gezer. A pedido de Yadin, essa equipa aceitou deitar mão outra vez à “fortaleza macabeia”. Foi assim que a outra metade da porta foi descoberta… e preencheu todas as expectativas. Chegou-se à conclusão de que esta porta datava, realmente, do tempo de Salomão. O relato de 1ª Reis 9:15 era, portanto, exacto. As três cidades, Hazor, Megido e Gezer, tinham portas que datavam da época de Salomão, idênticas quanto à forma, à dimensão e ao processo de construção. A hipótese de um plano global de construção sugerido em 1ª Reis 9:15 confirmou-se.
Mas a história não acaba aqui. Em consequência das escavações feitas perto da porta de Hazor, Yadin notou que o muro de Salomão era de um estilo diferente do de Megido. Em vez de uma muralha com reforços salientes e reentrantes, descobriu uma muralha com casamatas. Este tipo de muralha consiste em dois muros paralelos, relativamente estreitos, distantes um do outro mais ou menos 3 metros. De cinco em cinco ou de oito em oito metros, os dois muros são ligados por muretes de junção, formando assim salas isoladas, que podem ser usadas como depósito ou até como habitação. Em tempo de guerra, a muralha podia ser reforçada enchendo essas divisões com escombros.
Vista da porta de Salomão,
em Megido.
Ao analisar a semelhança entre as portas das três cidades, Yadin pensou que o mesmo deveria acontecer com as muralhas. Ter-se-iam enganado os arqueólogos em Megido? Já tinham cometido outros erros… Onde é que devia ser procurada a muralha do tempo de Salomão em Gezer? Yadin estudou de novo os relatórios sobre Gezer e descobriu uma estrutura em casamatas que, segundo os pesquisadores americanos, estava ligada à porta de Salomão. Concluiu-se daí que tanto Hazor como Gezer tinham portas com um sistema de quatro portões internos bem como muralhas em casamata, enquanto que Megido tinha um outro tipo de muro, embora a porta fosse idêntica. Yadin estava cada vez mais convencido de que os arqueólogos tinham cometido erros a respeito de Megido. Depois de terminar os seus trabalhos em Hazor, começou novas escavações em Megido. Mandou limpar o muro com os reforços salientes e reentrantes, a fim de verificar se não haveria casamatas debaixo dos escombros. As suas escavações em Hazor tinham demonstrado que, na época do rei Acab, tinha sido construído um muro maciço com reforços sobre a muralha em casamatas. Teriam feito a mesma coisa em Megido? Com efeito, quando a limpeza terminou, apareceu um muro em casamatas, idêntico aos de Hazor e de Gezer. O estudo das cerâmica encontrada no lugar confirmou a hipótese de Yadin, esta muralha em casamatas datava da época de Salomão, enquanto que o muro maciço com reforços reentrantes e salientes tinha sido construído um século mais tarde, no reinado de Acab.
Assim terminava uma grande aventura arqueológica. A sugestão feita em 1ª Reis 9:15, segundo a qual as construções de Hazor, Megido e Gezer faziam parte de um imenso plano arquitectónico do rei Salomão, foi confirmada de modo notável. As evidências são tais que nenhum arqueólogo moderno duvida ainda da exactidão deste texto bíblico. Depois das escavações feitas em 1910, tudo parecia indicar o contrário, mas os trabalhas de Yadin provocaram uma reviravolta na situação.
Conclusão:
Grande número de pesquisadores confirma que os dados bíblicos relativos à unificação do reino são particularmente exactos. Não temos informações arqueológicas que contrariem esse relatos. Muito pelo contrário. Todas as descobertas vêm corroborar a exactidão das informações contidas neste capítulos da Bíblia.

O REINO DIVIDIDO: SAMARIA


Ruínas de Samaria
Quando Omri se apoderou, pela força, dos reino do Norte (1ª Reis 16), deslocou a capital para uma colina até então desabitada no centro de Efraim. Situada no meio de uma planície rodeada de montanhas, esta colina era fácil de defender. A cidade foi chamada Samaria, como o nome do proprietário a quem Onri tinha comprado a colina (Shémér). Omri começou a construção da cidade, mas foi o seu filho Acab, marido de Jezabel, que a acabou. A construção foi realizada com minúcia, já que as juntas foram fechadas e os lados polidos com cinzel. A cidade foi construída à volta de um grande palácio fortificado, rodeado de armazéns, de silos e de habitações para o pessoal. O palácio real encontrava-se mesmo no meio. Embora tenha sido destruído pelo rei assírio Salmaneser V, quando este tomou Samaria em 722 a.C., uma parte do seu esplendor foi conservada.
Riquezas e poder do rei Acab.
Ruínas do palácio em
Samaria
1ª Reis 22:39 menciona uma casa de marfim mandada construir por Acab. É difícil acreditar que essa construção fosse inteiramente de marfim. Quando foram feitas escavações em Samaria, foi descoberto um palácio muito bonito feito em pedra. Nessas ruínas, foram encontrados numerosos fragmentos de objectos de marfim, que tinham servido para decorar os móveis e as paredes do palácio. Quando foi descoberto o palácio dos reis assírios em Nimrode, encontraram-se objectos semelhantes, também feitos de marfim. É provável que esses objectos fizessem parte do espólio que os assírios levaram depois de terem tomado a cidade. os fragmentos encontrados em Samaria provêm, provavelmente, de objectos partidos que foram deixados para trás. O palácio em si não era, portanto, feito de marfim, mas merecia certamente o seu nome por causa da abundância de objectos feitos nesse material.
Acab não parou depois da construção de Samaria. Há vestígios do seu reinado em Megido e em Hazor, sobre ruínas que datam do tempo de Salomão. Embora o reinado de Acab tenha sido um dos períodos mais sombrios da história religiosa de Israel, a prosperidade foi maior do que sob qualquer um dos outros reis israelitas. Quando os monarcas da Síria e da Palestina se uniram numa coligação destinada a resistir aos temidos assírios na batalha de Quarquar, em 853 a.C., o destacamento de Acab e os seus 2000 carros de combate foi certamente o mais importante do exército siro-palestino. Este pormenor é claramente visível nos relatos feitos por Salmaneser III, o monarca assírio, que não tinha qualquer motivo par exagerar o poder de Acab. Os laços que ligavam Acab aos fenícios, através da sua esposa Jezabel, foram para ele uma ajuda, de certo.
Decoração de marfim proveniente
de Samaria.
A queda de Samaria.
Apesar de uma forte defesa, os assírios, sob o comando de Salmaneser V e do seu general – que mais tarde seria conhecido sob o nome de Sargão II – conseguiriam tomar a cidade de Samaria em 722 a.C. Uma grande parte da população foi capturada e deportada para as regiões do Norte e do Leste da Assíria. Não sabemos mais nada, a não ser eu, mais tarde, alguns se juntaram aos judeus em Babilónia. Foi encontrado em Babilónia um selo com um nome hebreu, datado de mais ou menos 600 a.C. A sua particularidade reside no facto do nome do pai desse homem hebreu ser um nome assírio, o que leva a pensar que a família fazia provavelmente parte dos deportados que se juntaram aos seus irmãos em Babilónia.
O relato bíblico dos cercos repetidos a Samaria pelos assírios e pelos arameus revela uma violência extrema. A população deve ter sofrido imenso. Fortes evidências arqueológicas sugerem que muitos israelitas tentaram escapar aos assírios refugiando-se em Judá que, nessa altura, ainda mantinha boas relações com a Assíria e tinha, por isso, menos a temer.
Até à época de Salomão, a cidade de Jerusalém limitava-se a um cume estreito acima do vale de Cedrom. Quando Salomão construiu o seu palácio e o tempo, a cidade estendeu-se progressivamente para Norte, até duplicar a sua superfície. Os dados arqueológicos provenientes das escavações intensas, feitas um pouco por toda a parte em Jerusalém, levaram à conclusão de que a cidade não se tinha desenvolvido até à época de Ezequias, Jerusalém tornou-se em muito pouco tempo, cinco vezes maior. Provavelmente, ela foi invadida pelos refugiados vindos de Samaria, que montavam as suas tendas no vale e na parte Oeste de Jerusalém.
Pedra que menciona
as conquistas de
Sargão II.
O relato bíblico é, assim, confirmado de várias maneiras. Em primeiro lugar, a versão bíblica da violenta invasão dos assírios é confirmada pelos vestígios do caos no seio da população do reino do Norte. Se a isso juntarmos os vestígios de uma destruição impiedosa de Samaria, deduzimos que o relato bíblico é digno de confiança nesse ponto. Além disso, nas suas crónicas, o rei assírio Sargão II vangloria-se da tomada de Samaria. A queda da capital do reino do Norte, tal como a Bíblia a relata, já não levanta quaisquer dúvidas.
As descobertas arqueológicas acrescentam certos pormenores muito realistas ao relato bastante sucinto de 2ª Reis 17. A multidão de refugiados que vai para Jerusalém salienta todo o sofrimento e a angústia provocados pela invasão assíria.

A INVASÃO DE SENAQUERIBE




Prisma de Taylor,
que descreve
o ataque a Jerusalém
por Senaqueribe.

Chegada ao tanque de
Siloé.
Depois do cerco e queda de Samaria, os poderosos exércitos assírios dirigiram-se para Judá, o reino do Sul. A sua intenção era irem até ao Egipto. Nessa época, reinava em Judá Ezequias, um rei justo e bom. O profeta Isaías aconselhou-o a manter a sua confiança: o Deus de Israel salvaria Judá dos seus inimigos. Ezequias preparou-se, portanto, para resistir, a fim de libertar o seu povo das influências assírias. Tomou medidas destinadas a defender Jerusalém contra o ataque inevitável dos assírios. Os vestígios arqueológicos desses preparativos são espectaculares. Desde a época de Salomão que não tinha havido tantos trabalhos de construção. Era sobretudo o campo de refugiados a Oeste da cidade que representava um problema. Como é que Ezequias podia protegê-lo contra a violência assíria? Foi encontrada uma muralha maciça, com a espessura de sete metros. Tinha sido construída à volta do campo de refugiados, incluindo assim este último no perímetro da cidade fortificada de Jerusalém. Esta tinha-se tornado uma das maiores cidades da Siro-Palestina. A espessura da muralha mostra que Ezequias tentava proteger-se da maior potência militar da época.
Passeio refrescante num
dia quente de
Verão.
Para o seu abastecimento de água, Jerusalém dependia da fonte de Giom, situada na encosta da colina a Leste da cidade. Esta fonte era particularmente vulnerável, dado que estava situada fora das muralhas. Construir paredes fortificada não era possível. A partir do Monte das Oliveiras, situado nas proximidades, os arqueiros inimigos poderiam facilmente atingir quem fosse buscar água. Era, portanto, imperioso levar a água da fonte de Giom para o interior das muralhas, onde os sitiados poderiam abastecer-se sem correr riscos.
Planta de Jerusalém,
com o traçado
do túnel mandado
escavar por
Ezequias.
Antes da conquista de Jerusalém por David, os jebuseus tinham cavado um pequeno túnel que conduzia a água até ao interior da fortaleza. Mas dado que a sua capital era muito maior, Ezequias devia arranjar um sistema mais eficaz. Começaram a cavar um túnel com mais de 500 metros no terreno rochoso. Esse túnel levou a água para um lugar a Oeste da cidade de David, mas, desta vez, no interior das novas muralhas mandadas construir por Ezequias. Esse lugar, onde se podia conseguir água em completa segurança, foi chamado o tanque de Siloé. Foi aí que, muito mais tarde, Jesus curou um cego. Num certo lugar do túnel, foi descoberta uma inscrição em hebraico que dá informações sobre a realização deste projecto. Duas equipas de operários trabalharam em simultâneo, começando nas duas extremidades do traçado. O troço onde as duas equipas deviam encontrar-se a meio do túnel era muito sinuoso. Utilizando uma tecnologia bastante primitiva, os trabalhadores tiveram que corrigir o traçado inúmeras vezes, a fim de permitirem o encontro da duas equipas. No fim dos trabalhos, a extremidade oeste teve de ser baixada dois metros, de modo a obter um desnível suficiente para que a água se escoasse para o reservatório.
A Bíblia conta como Ezequias mandou construir este túnel e o reservatório (2ª Reis 20:20). Ainda hoje, este túnel é utilizado e pode ser visitado. É um passeio refrescante num dia quente de Verão. Munido de uma lanterna, o visitante atento pode ver, na rocha, as marcas das ferramentas usadas pelos trabalhadores, bem com o lugar onde se encontraram as duas equipas.
Inscrição encontrada no túnel
que descreve os
trabalhos

Dados do Túnel de Ezequias:
533 m./ 1749 pés sob a terra.
320 m./ 1056 pés de superfície.
Altura: 1.1-3-4 m (3.6 pés - 11.22 pés).
Largura: 0.58-0.65 m de largura (1 ¾ -2 pés). Profundidade: 52 m/ 170 pés do topo do morro. Gradiente: 7 pés.

A VIDA DENTRO DE UMA CIDADE BÍBLICA

Berseba: poço à entrada
da cidade.
Por vezes, a arqueologia bíblica esclarece certos relatos bíblicos de maneira bastante espectacular. Mas também é importante descobrir o modo de vida das pessoas nos tempos bíblicos. Berseba é, provavelmente, a cidade bíblica mais bem estudada e mais posta a descoberto. Ela dá uma ideia bastante precisa da vida da época.
Imaginem a cena: antigamente, um viajante aproximava-se de Berseba através dos campos de cevada e dos prados onde pastava as ovelhas e as cabras no Inverno. As pedras utilizadas para as fortificações conferiram à cidade uma forte cor ocre. Os telhados achados de certas casas encostadas às muralhas estavam, provavelmente, cobertos de palha. As crianças brincavam ali. Ao cair da noite, famílias inteiras encontravam-se nos telhados, à procura da frescura da brisa…
Selo de Baruque,
filho de Nerias.
A entrada da cidade, com os seus três portões maciços, era um lugar cheio de vida. Era ali que se organizava a vida social da cidade. os viajantes contavam as notícias de outras cidades; os camponeses encontravam-se para partilhar as suas experiências e as suas preocupações. Era também aí que os campos eram vendidos ou comprados e os casamentos combinados. Era ainda aí que os governadores da cidade se sentavam e julgavam. Era o verdadeiro centro da cidade urbana. Um pouco mais para o interior da cidade, chegava-se a um outro lugar importante: a praça do mercado. Era ali que os viajantes esperavam que alguém lhes oferecesse hospitalidade. Uma ou duas vezes por semana, instalava-se ali um mercado. Havia caravanas que paravam ali para descarregar as mercadorias trazidas de outras cidades. Em seguida, essas mercadorias eram transportadas para os armazéns e os entrepostos situados à direita da porta. Eram carregadas outras mercadorias, destinadas à exportação. Os entrepostos serviam de lugares de armazenagem, mas também de lojas onde a população local podia comprar as suas provisões.
À esquerda da porta, encontravam-se um pequeno santuário onde os visitantes e os trabalhadores que se encontravam nas proximidades podiam retirar-se para meditar. Da praça partia um caminho que contornava a cidade interior, paralelamente às muralhas. Esse caminho dava acesso às casas construídas encostadas à parede da fortaleza, e também aos bairros residenciais no centro da cidade.
 
Selo de Sema,
servo de Jeroboão.
Ao entrar numa casa, podíamos constatar que era mantido o estilo típico de construção israelita: três ou quatro divisões e pilares entre o pátio interior e os quartos. A cozinha e as outras actividades domésticas diárias faziam-se no pátio interior. O gado, principalmente ovelhas e cabras, ocupava uma das divisões. As outras serviam de armazém e, sobretudo, de dormitório, nas famílias mais pequenas ou pobres. Os ricos podiam dar-se ao luxo de construir um primeiro andar, acessível através de uma escada em pedra.
Havia pouca intimidade. Por todo o lado, havia crianças que corriam e brincavam sendo, muitas vezes, os seus gritos e os seus risos abafados pelo barulho dos animais. Era muito frequente ver várias famílias aparentadas habitarem sob o mesmo tecto. As águas usadas escorriam em direcção ao centro da rua, por meio de pequenos canis. Condutas mais importantes levavam-nas até à porta, e daí para o vale. Devia pairar no ambiente um odor nauseabundo de detritos, de podridão e de excrementos, sem falar do fumo das numerosas fogueiras sobre as quais eram preparadas as refeições. Era provável que o esterco composto de excrementos de animais e de humanos, e os materiais orgânicos apodrecidos, fosse posto num monte para servir de adubo para as terras.
Selo de Jazanias
(2ª Reis 25:23)
Não há dúvida de que o homem moderno se sentiria muito mal numa cidade destas. Mas o campo não era realmente uma alternativa válida, já que os ladrões representavam uma ameaça demasiado real. A vida era assim, e as pessoas habitavam-se a ela. É muitas vezes aconselhado que situemos as personagens bíblicas no seu contexto. A arqueologia dá-nos uma ajuda nesse aspecto.
Vestígios de personagens bíblicas.Dispomos de inscrições que mencionam personagens da Bíblia. Na Antiguidade, o selo pessoal era o único meio de identificação. Tratava-se de uma pedra onde estava gravado o nome. Assim, foi descoberto um selo com a menção “Baruque, filho de Nerias, o escriba”. Tendo em conta a data da inscrição – meados do século VII a.C. – é quase certo que tenha pertencido ao amigo do profeta Jeremias. Os textos de Jeremias 32:12,16 e 36:4 fazem menção de um escriba chamado Baruque, filho de Nerias. Um outro selo encontrado pertencia a Seraías, irmão de Baruque, de quem se fala em Jeremias 51:59. Três outros selos mencionam pessoas de linhagem real.
Duas delas, Manasses e Joiaquim, depois tornaram-se reis, enquanto que a terceira, Jerameel, é citada em Jeremias 36:26, como sendo um príncipe. Essas personagens bíblicas existiram, portanto, realmente.
Conclusão:Todos estes elementos mostram a importância da arqueologia bíblica ao dar uma nova dimensão à nossa compreensão da via nos tempos bíblicos e ao nosso respeito pela Bíblia.

O EXÍLIO BABILÓNICO

Prelúdio.
As medidas tomadas por Ezequias, na previsão de uma eventual invasão assíria, foram um sucesso. Jerusalém não caiu nas mãos dos Assírios. No entanto, nas suas narrativas de guerra, Senaqueribe indica, em tom de triunfo, que Jerusalém teve de pagar pesados tributos. Laquis, a segunda cidade de Judá, foi completamente destruída. Isso é evidente no relato escrito pelo próprio Senaqueribe e nas escavações feitas em Laquis. Senaqueribe chegou mesmo a mandar gravar a recordação da derrota da cidade numa placa comemorativa. Nessa placa vêem-se os defensores colocados sobre as muralhas, enquanto o invencível exército assírio está prestes de alcançar a vitória. Numerosos refugiados deixam a cidade que está a arder. Temos a sensação de que o rei da Assíria se sentia orgulhoso do seu feito. A maior parte das outras cidades de Judá parece terem sido parcial ou totalmente destruídas nessa mesma época.
Cerco e tomada de Laquis pelo exército
assírio de Senaqueribe.
Jerusalém aguentou-se. Na verdade, o reino de Judá tinha ficado reduzido praticamente a uma cidade-estado. Mas no reinado de Josias, na segunda metade do 7º século a.C., o poder assírio enfraqueceu e Judá voltou a ser uma grande nação florescente. Os relatórios das expedições arqueológicas mencionam a reconstrução das fortificações nas fronteiras e a presença de celeiros destinados a proteger e a conservar os produtos comerciais. Foi um período de paz e de prosperidade, justificando os elogios feitos ao rei Josias que podemos ler na Bíblia.
Pedaço de uma placa de barro
encontrado perto de Mesad
Hahavyahou, que relata uma queixa
de um trabalhador contra o seu patrão.
Pela primeira vez, Judá parecia exercer o seu poder sobre uma parte das regiões marítimas habitadas pelos Filisteus. Perto de Mesad Hashavyahou, foi encontrado um importante pedaço de uma placa de barro. Um trabalhador queixa-se do seu patrão, que parece ter transgredido uma das leis mosaicas sobre o empréstimo de bens. A nota era provavelmente dirigida ao juiz local e fazia parte das provas de acusação. O facto de que um trabalhador pudesse levantar um processo jurídico contra o seu patrão, no quadro de um artigo da lei mosaica, mostra a forma séria coo a reforma de Josias tinha sido aplicada em todo o país. Noutras épocas, a corrupção era tal que o patrão teria facilmente podido parar todo o processo com uma pequena quantia em dinheiro. Mais ainda, um trabalhador nunca teria ousado apresentar queixa junto de um juiz.
Parece que Josias também conquistou para Judá a maior parte das regiões a norte e reunido temporariamente as duas partes do reino. Assim se compreende a razão pela qual a Bíblia compara Josias ao rei David. Josias morreu numa batalha contra os egípcios, em Meguido.
O profeta Jeremias.
Inscrição em hebraico numa
sepultura em Silwan.
O ministério profético de Jeremias começou no reinado de Josias. Depois da morte desse rei reformador, as coisas precipitaram-se para o profeta. Sob os sucessores de Josias, as antigas corrupções voltaram a aparecer a minaram a sociedade. Jeremias anunciou a queda e a destruição de Jerusalém, mas o povo não quis saber, considerando-o um renegado. Não tinha Deus salvo a cidade e o templo, de modo milagroso, na época de Ezequias e de Isaías? O povo acreditava firmemente numa nova intervenção divina. Assim se compreende por que razão as palavras de Jeremias o tornaram tão impopular junto das autoridades e dos responsáveis religiosos.
Ornamento em
Ramat Rahel
Uma das principais injustiças denunciadas por Jeremias era a desigualdade entre ricos e pobres. Embora a nação tivesse sido fundada sobre o princípio da igualdade para todos, os pobres eram oprimidos pelos ricos. Os túmulos descobertos em Silwan, um bairro de Jerusalém, dão testemunho disso. As sepulturas dos ricos atestam um luxo evidente, enquanto que os pobres não podiam ter senão uma simples tumba.

O profeta repreendeu os reis de Judá, porque não faziam nada para ajudar as pessoas do povo que viviam em condições difíceis. Este fosso entre os monarcas e os seus súbditos é confirmado pelas descobertas feitas em Ramat Rahel, a sul de Jerusalém. Foram trazidas à luz ruínas de um edifício que tinha as características de um palácio, tanto pelo seu estilo como pelo seu luxo. Além disso, este tipo de arquitectura só se encontra nas construções reais. Podemos deduzir de tudo isso que este palácio situado fora da cidade servia de residência aos monarcas que já não suportavam viver com o povo. Claro que não se pode criticar o rei por procurar a tranquilidade. Mas é evidente que uma residência assim, situada longe da realidade diária, não favorecia nada o seu interesse pelas necessidades dos seus súbditos.
Outras decorações que fizeram
parte de um palácio.
Uma outra curiosidade descoberta em Ramat Rahel é um conjunto de capitéis esculpidos em forma de flor de lótus. Esses capitéis proto-eólicos só se encontram na Palestina e apenas em lugares onde os reis passavam uma boa parte do seu tempo. O luxo da real Ramat Rahel ia provavelmente de mãos dadas com um empobrecimento espiritual da casa de David. Pouco tempo depois, Judá desapareceu como nação. Jeremias tinha, portanto, boas razões para anunciar as suas mensagens proféticas de advertência.

JERUSALÉM DESTRUÍDA POR BABILÓNIA

Muros de Jerusalém
Quando Nabucodonosor venceu os exércitos egípcios no norte da Síria em 605 a.C., toda a Palestina, incluindo Judá, caiu em seu poder. Com efeito, depois da derrota de Josias em 609, Judá estava sob administração egípcia. Mas Nabucodonosor não cercou a cidade de Jerusalém. Contentou-se em levar como reféns uns quantos membros da família real a fim de exercer uma certa pressão sobre o reino de Judá. Entre esses reféns encontravam-se Daniel e os seus três amigos.
Apesar desta situação precárias, Judá revoltou-se em 601 a.C.. A cidade de Jerusalém foi cercada uma primeira vez pelos babilónios, acabando por se render em 597, mas não foi destruída. Na verdade, Nabucodonosor tinha hábito de preservar as entidades nacionais sob a direcção de nobres locais. Levou consigo o rei Jeoiaquim e colocou no trono o seu tio Zedequias, na esperança de que este levasse a sério os interesses de Babilónia. Em Babilónia foi encontrada uma lista de distribuição de víveres na qual figura o nome de Jeoiaquim, o rei de Judá deportado em Babilónia. Habitualmente, os exércitos que subiam contra Judá atacavam primeiro as cidades e aldeias dos arredores antes de atacarem a verdadeira fortaleza que era Jerusalém. Senaqueribe tinha seguido essa estratégia em 701 a.C., e os romanos viriam a fazer o mesmo no ano 70 da nossa era. Indícios claros mostram que várias cidades judaicas foram destruídas nessa época. Algumas nunca mais foram reconstruídas, enquanto que outras ainda foram habitadas até ao último ataque babilónico e à sua destruição total em 586 a.C.. Assim, Ramat Rahel foi destruída e parcialmente reconstruída até ao seu fim definitivo. Outras cidades, como Laquis, que não voltaram a desfrutar da sua glória inicial depois da destruição causada por Senaqueribe em 701 a.C., foram definitivamente arrasadas em 197. o reino de Judá estava de novo reduzido a uma espécie de cidade-estado concentrada em volta de Jerusalém.
Crónica babilónica que relata a queda da
cidade de Jerusalém.
Tal como em 722 a.C., depois da destruição de Samaria, um mar de refugiados dirigiu-se para Jerusalém um grande número de fugitivos tentou escapar à carnificina babilónica. A região desértica a Este e a Sul de Jerusalém tinha sido sempre um lugar de refúgio em caso de ameaça militar. Foi aí que David se refugiou para escapar ao seu antecessor Saul. Foi também aí que os Essénios construíram mais tarde uma cidade e esconderam os seus preciosos rolos, a fim de os proteger dos seus inimigos. Assim, pois, um bom número de refugiados judeus dirigiu-se para esta região selvagem. Construíram as suas casas perto do oásis de En Guédi, na margem ocidental do Mar Morto. Os arqueólogos descobriram aí uma cidade floresceste datando dessa época, sem encontram vestígios de ocupação humana anterior. Tudo leva a crer que essa cidade era habitada pelos fugitivos.
A destruição de Jerusalém, uma catástrofe nacional.
Depois de uma nova revolta, os exércitos babilónicos dirigiram-se de novo para Judá. Em 587-586, Jerusalém foi completamente arrasada, incluindo o templo do Deus de Israel. A destruição do templo foi, provavelmente, uma experiência mais traumatizante do que a perda dos bens pessoais. A fé do povo repousava no poder libertador de Deus. Neste contexto, a destruição do templo parecia indicar que a Sua morada fosse destruída, era algo impensável. O Deus todo-poderoso nunca teria permitido que pagãos idólatras profanassem e destruíssem o Seu santuário. Esta destruição abalou os fundamentos da sua fé.
No entanto, Jeremias tinha mencionado a possibilidade desse desastre nas suas profecias. De agora em diante, ele deixou de ser um inimigo da nação, mas um instrumento que podia ajudar Judá a ultrapassar a catástrofe. Jeremias explicou aos seus compatriotas as razões da derrota. Devido aos seus pecados, eles tinham-se afastado tatuo de Deus que Ele já não podia fazer mais nada por eles.
Restava apenas confessarem os seus pecados, aceitarem o castigo e orarem pelo restabelecimento de que os profetas tinham falado. Esse dia prometido tornou-se o centro das esperanças dos exilados.
Cidade refúgio
Escavações feita em toda a Palestina testemunham de carnificina impiedosa infligida pelos babilónios em 586 a.C.. Em muitos lugares, foram encontrados vestígios de destruição brutal. Com frequência, uma espessa camada de cinzas e de escombros queimados cobre o solo das casas. Não se nota qualquer vestígio de ocupação humana posterior. Em nenhum lugar se pode observar uma transição progressiva da monarquia para o período persa. Só se encontram provas de destruição seguida de um período de desolação. Alguns desses lugares nunca mais foram habitados.


Jerusalém parece, igualmente, ter sido abandonada. As escavações não revelaram nenhum elemento que datasse do período do exílio. As fortificações em terraços a oriente da cidade e a espessa muralha que rodava a parte oeste foram desmanteladas e nunca mais foram reconstruídas. Jerusalém tinha-se tornado o que os profetas tinham predito: uma ruína que todos os viajantes evitavam, e onde a avestruz e o chacal tinham a sua morada. Um lugar desolado e horrível, comparado com a sua glória passada.

Água abundante nestes
lugares de refúgio.

Uma grande parte da população que não conseguiu escapar foi levada cativa para Babilónia. Aqueles que ficaram, viveram ao serviço dos babilónios, sob a autoridade de Gedalias, um governador judeu. Jeremias, que tinha sido bem tratado pelos invasores, pôde ficar no país. Manteve contactos estreitos com Gedalias que habitava em Mizpá, alguns quilómetros a Norte de Jerusalém. Alguns colaboradores entre os nobres, que tinham fugido para Amon, do outro lado do Jordão, assassinaram Gedalias. Isso provocou uma nova invasão babilónica em 582, completando a destruição das cidades e das aldeias de Judá. Assim como um certo número de pessoas, o idoso profeta Jeremias empreendeu a fuga para o Egipto, a fim de escapar a esta última invasão babilónica. Aí fundaram uma comunidade judaica, que, posteriormente, se tornou muito importante.
Selo de Nerias, pai de Baruque,
secretário de Jeremias.
O reino de Judá tornou-se um território deserto. Os dados arqueológicos e as informações fornecidas pela Bíblia concordam nesse ponto. Os salteadores e as feras eram os senhores da região. O mesmo se passava com as nações vizinhas de Judá. Embora algumas ainda durassem mais umas dezenas de anos, não passaram do século VI. A região marítima da Palestina continuou a ser habitada, mas os habitantes viveram na pobreza. A norte, as cidades costeiras da Fenícia aguentaram-se, mas apenas graças ao abastecimento fornecido pelas suas colónias situadas a oeste. Durante treze anos, Tiro foi sitiada por Nabucodonosor, mas graças às suas relações com os territórios de além-mar, a cidade não caiu. À parte estas poucas excepções, a população de toda a Siro-Palestina nunca tinha sido tão pouco densa. Todos estes dados correspondem ao quadro descrito pela Bíblia.

DANIEL EM BABILÓNIA

Ciro o Grande
Vários elementos que, no passado, constituíram problemas quase insolúveis relativos à historicidade deste do livro de Daniel, tiveram uma explicação. Esses relatos narrativos e proféticos podem, agora, ser tomados a sério.
Nas suas descrições proféticas, Daniel utiliza imagens de animais bastante estranhos, realmente difíceis de entender para o leitor moderno. As pessoas que viviam na época da supremacia babilónica não tinham essas dificuldades de compreensão. Hoje, a arqueologia ajuda-nos a levantar alguns véus.
A célebre porta de Istar, encontrada em Babilónia, estava coberta de relevos que representavam animais estranhos e outras feras terríveis.
O objectivo era impressionar, quem sabe intimidar, o visitante desta grande cidade. a grandeza de Babilónia era visualizada, simbolicamente, por estas representações. São estes mesmos símbolos que encontramos nos sonhos e visões de Daniel. Nada de extraordinário, portanto, para um leitor familiarizado com a cultura babilónica. Na Antiguidade, as forças cósmicas eram muitas vezes representadas sob a forma de animais desse tipo.
Reconstrução do palácio de Nabucodonosor.
As paredes com baixos-relevos de
animais selvagens
O conhecimento do meio histórico e geográfico no qual Daniel teve as suas visões ajuda-nos a compreender não só as cenas que evocam animais, mas também as que mencionam “os reis do Norte e do Sul”. Na realidade, ninguém se aproximou de Babilónia vindo de Este ou de Oeste. Os desertos e cumes montanhosos formavam uma barreira intransponível para os exércitos inimigos. Esses exércitos usavam sempre os vales a Sul e a Norte.
Tendo em conta a dimensão do livro de Daniel, podemos afirmar sem problema que dispomos de mais provas e de indícios arqueológicos relativos a ele do que a qualquer outro livro da Bíblia. E, no entanto, muitos duvidam da sua veracidade. Embora este livro apresente muito poucas semelhanças com outros livros da Bíblia (exceptuando o Apocalipse), é preciso saber que este tipo de literatura extra-bíblica foi encontrado em abundância. Dispomos de numerosos manuscritos medievais que contêm textos que datam da Antiguidade. Para o leitor moderno, esta literatura cheia de representações gráficas pode parecer estranha, mas não era assim para o leitor da época.
Cilindro no qual figura o decreto promulgado
por Ciro, autorizava os judeus a voltarem a
Jerusalém
Ciro
Voltaremos a mencionar as conquistas de Babilónia por Ciro, o Grande. Uma das razões pelas quais os babilónios aceitaram facilmente este monarca foi porque este adorava, entre outros, o seu deus Marduque. Sabemos que Ciro tolerava os deuses nacionais dos povos conquistados. Assim, as palavras de 2ª Crónicas 36:22,23, que afirmam que Ciro respeitava o Deus de Judá, bem como as profecias de Jeremias, estão confirmadas.
Quando Ciro promulgou o decreto que permitia aos judeus voltarem para Judá, a fim de reconstruírem a cidade de Jerusalém e o templo do seu Deus, muito poucos decidiram voltar. Durante os setenta anos passados em Babilónia, os deportados tinham construído uma vida desafogada e tinha esquecido a sua pátria. O enorme trabalho que os esperava para reconstruir Jerusalém e torná-la habitável assustava-os. Os judeus tinham acabado por constituir um grupo importante e próspero em Babilónia. Vários textos antigos mencionam um grupo importante de comerciantes judeus influentes. Encontramos a confirmação disso no livro de Ester. Não podemos avaliar a influência exercida por Ester na corte real, mas talvez fosse maior do que se poderia imaginar.
Uma parte do tesouro de Ciro.
Terão algumas destas
peças sido usadas
por Ester?
Também podemos perguntar-nos qual poderia ter sido a influência dos judeus monoteístas sobre o aparecimento da nova religião persa, conhecida sob o nome de zoroastrismo. Esta religião só conhecia duas divindades: a do bem e a do mal. Embora este dualismo não seja um verdadeiro monoteísmo, devemos salientar que esta crença de origem bastante vaga apresenta paralelos interessantes com a doutrina cristã que opõe Deus a SatanasTempo de construção: 7-9 meses.

Pesquisadores chineses e turcos encontram a Arca de Noé

A importância deste achado é porque, pela primeira vez na história, a descoberta da Arca de Noé foi bem documentada e revisada para a comunidade mundial. Houve várias ocasiões no passado em que pessoas encontraram a Arca e ainda entraram na arca, mas nenhuma evidência substancial foi apresentada para o mundo. Por exemplo, em 1883, pelo menos oito jornais ao redor do mundo informaram que uma equipe de vistoria dos comissários da Turquia subiu o Monte Ararate e encontrou por acaso uma gigantesca estrutura de madeira muito escura que acreditaram ser nada menos que a Arca de Noé. No entanto, a descoberta não foi mais investigada. Em diversas ocasiões, a Arca foi vista de fora de um avião. E em alguns casos fotos foram tiradas. Mas as fotos desapareceram inexplicavelmente.

O relato das testemunhas montou o quebra-cabeça completo da Arca, porque todos eles mencionaram os mesmos importantes detalhes que combinam exatamente com este surpreendente achado na montanha. Apenas alguns dos muitos detalhes que são mencionados deste achado são os seguintes:

1. A altura na qual foi encontrada, que é cerca de 4.000 metros de altitude.

2. Outro detalhe é a forma como a Arca está localizada na montanha - ligeiramente inclinada - e que tem aparência de madeira marrom avermelhada; a ponta da Arca está apodrecida e quebrada; e há buraco através do qual se pode entrar.

3. Que a sua maior parte está enterrada no gelo e que a Arca é muito sólida e de alta qualidade; e muito escura e longa em retângulo.

Alguém subiu na Arca em 1948 e tentou quebrar um pedaço da Arca com sua adaga, mas a madeira era tão dura e não se quebrou. Isso nos deixa com as seguintes perguntas:

1. Se esta não é a Arca, porque é que alguém construiria algo com enormes e pesadas vigas acima dos 4000 metros de altitude, onde não se pode respirar e viver com facilidade?

2. Por que alguém iria construir uma espécie enorme de estrutura com mais de um andar no alto da montanha, quando há mais espaço suficiente para construir?

Portanto, a minha conclusão é: há quantidade enorme de sólidas evidências de que a estrutura encontrada no Monte Ararate, na Turquia oriental, é a lendária Arca de Noé.

Gerrit Aalten
Pesquisador holandês que há 35 anos se dedica a estudos sobre a Arca de Noé. Viajou seis vezes para a Armênia, entrevistou diversas pessoas e procurou vestígios da Arca em diferentes culturas e na história. Considera a Arca como patrimônio da humanidade.

NOAH`S ARK´FOUND IN TURKEY



O EGIPTO E OS MUROS DE NEEMIAS

Um fragmento de Daniel 7
traduzido em grego.
Muitos daqueles que tinham conseguido escapar às quatro invasões babilónicas (605, 597, 586 e 582 a.C.) fugiram para o Egipto, também chamado “a cana quebrada (2ª Reis 18:21), com quem Judá se aliava continuamente para resistir a Babilónia. A maior parte dos refugiados instalaram-se no delta do Nilo, a região mais próxima da Palestina, à espera da restauração do seu país. Mas com o tempo, acabaram por se sentir em casa em perderam todo o desejo de voltar à Palestina. Dado que nesta época o grego era a língua oficial no Egipto, traduziram o Antigo Testamento para essa língua. Essa versão, chamada a Septuaginta, foi utilizada mais tarde pelos primeiros cristãos.
Um certo número de judeus foi mais para sul e estabeleceu uma comunidade poderosa na ilha de Elefantina, em Assuão. Temos várias cartas provenientes desta colónia, que nos fornecem informações preciosas sobre a vida desses judeus durante o exílio. Essas cartas foram escritas em aramaico e datam dos séculos IV e V a.C.. O elemento mais notável é a menção de um templo que eles construíram e dos pedidos de autorização dirigidos aos rabis de Judá. O templo nunca foi encontrado, mas as cartas não deixam qualquer dúvida: o templo foi construído, mas sem a autorização pedida. Uma recusa semelhante enquadra-se bem com o teor dos livros de Esdras e de Neemias, escritos depois do exílio e que faziam continuamente referência à lei de Moisés e ao reconhecimento de um só templo, o de Jerusalém.
Os muros de Neemias.
Carta em aramaico
encontrada em
Elefantina, na qual um
judeu oferece uma
casa à sua filha
século V a.C.
Os textos bíblicos que relatam as dificuldades encontradas pelos judeus em Judá no momento da reconstrução da cidade de Jerusalém, do tempo e das muralhas são confirmados pelas descobertas arqueológicas. As informações relativas aos sucessores do rei persa Ciro revelam-nos monarcas mais interessados em mulheres, bebidas e prazeres do que na gestão do país. Essa tarefa era, sobretudo, delegada nos funcionários. Geralmente, era concedido um favor à primeira pessoa que fazia um pedido. Foi o que fez Assuero, note-se, em face de Hamã no livro de Ester. Para Sambalate, o governador de Samaria, era fácil utilizar este costume para maltratar os judeus que queriam reconstruir a cidade (ver livro de Neemias).
Um dos inimigos do Neemias chamava-se Tobias, rei dos Amonitas. Hoje conhecemos toda uma dinastia de reis amonitas com esse nome. Uma inscrição onde figura esse mesmo nome foi descoberta no cimo de uma ponta rochosa que domina um vale esplêndido perto de Aman, na Jordânia. Essa inscrição data de uma centena de anos depois da época de Neemias. Durante muito tempo, os especialistas acreditaram que o nome de Tobias era uma ficção, já que continha o sufixo “Ya”, uma abreviatura de Yahvé. Como é que um rei amonita poderia ter um nome assim? A inscrição encontrada vem confirmar a historicidade desse homem que teria reinado sobre o território de Amon. Não é impossível que esse rei tivesse antecedentes judaicos. Próximo da inscrição, foi encontrado um grande palácio da época helenista com o nome de Iraq el-Amir. Não é possível afirmar com certeza que esta palácio fosse a residência desse Tobias, mas é grande a tentação de ligar esses diferentes elementos e de concluir que o reino de Tobias e dos seus descendentes subsistiu até à época dos Macabeus, no século II a. C.. o palácio foi construído com pedras mais volumosas do que de costume.
Ruínas do palácio de Iraq
el-Amir, talvez a
residência de Tobias
Os muros que Neemias mandou construir em volta de Jerusalém foram postos a descoberto. Forma encontrados na beira do planalto sobre o qual Jerusalém foi construída, no interior dos limites da cidade pré-exílica. A restauração do reino de Judá foi, portanto, uma regressão em relação à situação anterior ao exílio. Esta descoberta confirma as indicações que podemos ler nos livros de profetas como Ageu e Zacarias, escritos imediatamente após o exílio e que evocam a fragilidade da comunidade judaica e o desânimo sentido pelos primeiros repatriados.
Interior do palácio
de Iraq el-Amir.
Escavações feitas em numerosos locais de Judá revelam um quadro semelhante. Muitos, senão a maior parte, dos exilados ficaram em Babilónia. Assim, o período persa é um dos períodos mais pobres e tristes que os arqueólogos encontram na Palestina. Há muito poucos sinais de construções de grande envergadura.
Mesmo depois da época helenista, quando surgiu um reino judaico independente, o dos Hasmoneus ou Macabeus, a população nunca mais atingiu a densidade anterior ao exílio. Só na época romana, pouco antes do nascimento de Cristo, é que a Palestina voltou a ter a prosperidade do passado. Mas devido à chegadas do gregos e dos romanos, as construções mudaram de novo de estilo.

O NOVO TESTAMENTO E A ARQUEOLOGIA

QUMRAN
Embora não estejam directamente relacionados com o período neotestamentário, os notáveis manuscritos descobertos nas grutas de Qumran, perto do Mar Morto, inscrevem-se naturalmente no quadro de um curso de arqueologia bíblica. Uma dissidência judaica – o essenismo – tinha-se instalado nesta região. Os seus membros davam muita importância às profecias de Isaías relativas à vinda do Messias. Um personagem, chamado o Mestre de Justiça, conhecido apenas através da literatura apocalíptica, ocupava um lugar importante no seu espírito. Parece que seguiram este Mestre de Justiça na rejeição da ordem religiosa estabelecida em Jerusalém. No segundo século antes da nossa era, refugiaram-se no deserto da Judeia, perto do Mar Morto. Esperavam que o Messias se manifestasse primeiro nesse lugar, para aí vier num isolamento monástico.
Os textos que descrevem as suas crenças religiosas específicas são interessantes, mas foram, sobretudo, as centenas de manuscritos, cópias de livros bíblicos que datam do primeiro e do segundo século antes de Cristo, que atraíram a atenção. Encontraram-se cópias completas, parciais ou fragmentárias de todos os livros do Antigo Testamento, com excepção do livro de Ester. Antes desta descoberta, os cientistas duvidavam seriamente da fiabilidade da transmissão dos textos bíblicos, já que estavam convencidos de que séculos de cópias sucessivas tinham alterado gravemente o texto. Os erros cometidos por uns copistas seriam repetidos por outros copistas, e pensava-se que, deste acumular de erros, o texto bíblico resultante sairia gravemente alterado quando comparado com os manuscritos originais.
É interessante assinalar que os manuscritos antigos encontrados em Qunran, e apenas alguns séculos mais recentes do que os originais, apresentam muito ouças diferenças em relação aos textos que utilizamos hoje. Isso demonstra que o texto bíblico não sofreu praticamente nenhuma deformação. Podemos, portanto, ter confiança na sua integridade. O texto actual é um reflexo fiel do que os autores inspirados por Deus quiseram transmitir.
OS ESSÉNIOS E OS CRISTIANISMO.
Os essénios de Qumran praticavam um ritual de purificação muito interessante. Ao descer uma escada, entrava-se num tanque. Depois de ter sido mergulhado na água, o homem subia do outro lado purificado. Ninguém podia tocar no ´lado puro´da escada sem se ter purificado primeiro. Este ritual recorda o ritual do baptismo. Será que havia uma relação entre este ritual e o baptismo por imersão praticados por João Baptista? Muitos pensam que sim, e salientam que João baptizava no Jordão, não longe de Qunran. Sabemos hoje que um ritual semelhante também era praticado no judaísmo oficial, embora mais raramente. Tanques de purificação semelhantes, datando do primeiro século da nossa era, foram encontrados em Jerusalém e noutros lugares da Judeia, especialmente em Masada.
Embora haja numerosos pontos comuns entre o essenismo e o cristianismo, não podemos, no entanto, ignorar certas diferenças importantes. O cristianismo nasceu no seio do judaísmo, tal como a seita dos essénios. Mas isso não basta para que os consideremos um só e mesmo grupo religioso.

CONSTRUÇÕES DE HERODES

TIBÉRIO
PILATOS
O projecto mais prestigioso que Herodes empreendeu foi a construção de um novo porto marítimo perto de Cesaréia (assim chamada em homenagem a Júlio César). Foi uma das maiores cidades construídas até então, sob o reinado de um só rei. Havia muito tempo que este lugar era conhecido pelo seu imponente teatro, que proporcionava uma vista para o mar e pelo seu notável aqueduto. Mas só quando se realizaram as escavações mais recentes é que se começou a trazer à luz do dia a vasta cidade herodiana. A cidade tinha sido construída ao redor do porto. Mergulhadores arqueólogos provaram que se tratava do porto mais importante do império romano nessa época. A entrada era guardada por enormes estátuas e nele podiam atracar mais de cem navios. Tendo em conta o facto de que a costa da Palestina, a sul de Haifa, não tem portos naturais, a construção do porto artificial de Cesaréia foi uma verdadeira proeza.
Uma longa fila de armazéns, protegidos por cúpulas, ladeava o porto. Um deles albergava um lugar sagrado e secreto dedicado à deusa Mitra. O culto de Mitra, divindade de origem persa, era muito popular entre os soldados romanos. Os rituais persas foram adoptados pelos romanos e espalharam-se pelo mundo inteiro. O Metreum encontrado em Cesaréia é o único descoberto na Palestina.
Canalizações subterrâneas tiravam partido das marés do Mediterrâneo para evacuar os detritos. Uma rua larga, ladeada por colunas, atravessava a cidade. Calculou-se que esta rua, por si só, continha milhares de colunas. Junto à cidade, encontrava-se o hipódromo, onde se desenrolavam as corridas de carros e de cavalos, como na maioria das cidades romanas.
Pouco depois da morte de Herodes, Cesaréia tornou-se a sede do governo da Siro-Palestina. Depois de ser preso, Paulo foi conduzido a Cesaréia, para um interrogatório feito pelo governador Festo. Foi, também, desta cidade que ele partiu para Roma.
1. O drama de Masada.
Muitas das construções edificadas em Jerusalém eram de utilidade pública. Mas o monarca também mandou construir edifícios para seu prazer pessoal. Foi para isso que mandou edificar quatro palácios em lugares diferentes. O mais célebre é, provavelmente, o que foi construído sobre o rochedo inexpugnável de MASADA.Arqueólogos israelitas fizeram aí escavações intensas. Este lugar é visitado diariamente por centenas de turistas. Por causa da sua ambição e da sua amizade com Marco António, Herodes teve de enfrentar a inveja de Cleópatra, a célebre rainha do Egipto que conseguiu influenciar vários imperadores romanos. Herodes mandou construir Masada sobre um promontório rochoso de 300 m de altura, perto do mar Morto. Penava servir-se desse lugar como refúgio contra um eventual ataque mandatado por Cleópatra. O palácio foi decorado num estilo que lembrava o de Pompeia. As termas eram abastecidas de água quente e fria proveniente de enormes tanques talhados na rocha e que podiam recolher a água das raras chuvas de Inverno. Herodes nunca utilizou este palácio como refúgio. Mas foi o refúgio dos combatentes nacionalistas judeus, depois da queda de Jerusalém, no ano 70 da nossa era. O seu suicídio colectivo, no ano 73, pouco antes de o exército romano destruir as muralhas, foi relatado por Flávio Josefo e é confirmado pela arqueologia. Ficamos impressionados, tanto perante a coragem e a tenacidade dos sitiados como com a crueldade com que os romanos sufocaram a revolta.
2. O Heródito.
No cimo de uma colina chamada Heródio, Herodes mandou construir um palácio com termas, quartos de visitas, uma sala de recepções, um grande pátio interior e muitas outras divisões mais modestas. Foi aí que ele quis ser enterrado.
A colina, elevada artificialmente, é visível de Jerusalém, quando se olha para Sul. O palácio foi construído de maneira a ficar rodeado de colinas que serviam literalmente de muralhas.
3. Jericó e Maqueronte.
Os invernos em Jerusalém podem ser frios. Mas em Jericó, situada no vale do Jordão, a temperatura é quase tropical, devido à sua situação próxima no nível do mar. foi aí que Herodes mandou construir o seu palácio de Inverno, incluindo um grande complexo balnear, que utilizava a água de um oásis próximo. Uma equipa americana revelou o palácio e descobriu grandes piscinas. Josefo escreve que Herodes sofria de diversas doenças crónicas. Era frequentemente obrigado a sair de Jerusalém e ir a Jericó, onde podia aliviar as suas dores com banhos terapêuticos. Consta que morreu em grande sofrimento.
Um outro palácio, chamado Maqueronte, foi construído nas montanhas a Leste do Mar Morto. Este lugar apresenta muitas semelhanças com o Heródio. Foi neste lugar que João Baptista foi decapitado, a pedido de Salomé, enteada de Herodes.
Foi, em grande parte, graças às realizações de Herodes o Grande que a paisagem arquitectónica da Judeia evoluiu e melhorou. Jerusalém e Cesaréia eram os dois centros importantes. No entanto, no tempo de Jesus, o país já não era governado por um rei loca., as directamente por Roma. Herodes foi o último grande monarca. Os seus filhos governaram, cada um, um território próprio, mas nunca o seu poder igualou o do seu pai.

A GALILEIA

Cafarnaum, pode ver-se nesta vista aérea a antiga aldeia e
os vestígios das construções.
A Galileia foi um centro judaico importante no tempo de Jesus, ma não tirou partido das actividades de construção durante o reinado de Herodes. Separada da Judeia pela Samaria, era mais pobre e menos desenvolvida. Nazaré, onde Jesus passou a Sua infância, era uma aldeia pobre. Muito poucas coisas datadas da época romana resistiram ao tempo. Os eventuais vestígios da época ficaram inacessíveis, devido à construção de novos edifícios. Sabemos, por isso muito pouco sobre a aldeia onde Jesus passou a Sua juventude.
A cidade romana mais importante da Galileia era Tiberíades. Estava situada na margem ocidental do lago da Galileia. Escavações revelaram que, com efeito, a cidade era um centro importante, que incluía um certo número de grandes edifícios e uma porta monumental.
Uma grande parte do ministério de Jesus desenrolou-se na margem norte do lago da Galileia, perto de Cafarnaum. Como o próprio nome indica (Kafar = aldeia), Cafarnaum não era mais do que uma aldeia. As casas eram construídas com pedras de basalto escuro. Uma vez que só os ricos podiam dar-se ao luxo de pintar essas pedras de branco, a aldeia devia ter um aspecto bastante sombrio. A impressão de pobreza sugerida pelos evangelhos é confirmada pela arqueologia. Conseguimos imaginar facilmente que os habitantes estivessem abertos à mensagem de esperança de Jesus e que numerosos doentes esperassem a cura.
Sinagoga frequentada por Jesus e onde pregava.
O lago da Galileia está rodeado de montanhas por todos os lados. O lago de água límpidas reflectia o céu azul e alegrava os visitantes. Mas, por causa das colinas que o rodeavam, as tempestades invernais podiam abater-se sobre ele com uma rapidez e uma força inesperadas. Os relatos bíblicos que contam as experiências de Jesus e dos Seus discípulos neste lago, suspendidos pela tempestade, tornam-se muito mais realistas e tangíveis. Hoje, graças às tecnologias modernas em matéria de meteorologia, os pescadores podem trabalhar em condições mais seguras.
Em Janeiro, 1986, Moshe e o seu irmão Yuval contemplavam o Mar de Galileia e notaram uma sombra estranha amoldada no chão do lago.
Barco de "Pedro". Cafarnaum era a aldeia de Pedro e
onde Jesus curou a sua sogra.
O Mar estava perigosamente baixo, devido a uma seca severa, e esta era a primeira vez que Moshe e Yuval – ambos, modernos pescadores diários – puderam ver o fundo do mar, tão claramente.
O que o Moshe e Yuval viram era a forma de um barco, cujo significado arqueológico só seria confirmado na década seguinte.
O governo israelita emitiu uma ordem especial para, "baixar o nível do Mar da Galileia para preservar o barco do primeiro século que foi achado no fundo do mar. Porém, em lugar de fazer assim, um dique foi construído para bombear água para fora da área; desse modo, a equipa de escavações trabalhou cuidadosamente para preservar a arte do primeiro século. Hoje, o barco pode ser visto num museu especialmente construído no Kibbutz Ginossar, no Mar de Galileia.

A CRUCIFICAÇÃO

NO tema sobre os Assírios referimos que eles empalavam os seus prisioneiros de guerra. A crucificação, o facto de atar ou pregar uma vítima a um poste, pode muito bem ter-se desenvolvido a partir dessa prática. Os romanos aplicavam este suplício extremamente cruel principalmente aos rebeldes e aos escravos. Milhares de escravos que trabalhavam na Via Appia, em Itália, foram crucificados quando se revoltaram contra os capatazes. Na época de Jesus, a crucificação era um suplício capital frequentemente aplicado.
Em Jerusalém, as escavações permitiram encontrar o esqueleto de um homem crucificado. Podem ver-se os restos de um grande prego que atravessava os seus pés. Um exame minucioso do esqueleto demonstrou a crueldade da crucificação praticada pelos romanos. Em vez de utilizar dois pregos (um para cada pé) utilizavam apenas um, ao contrário do que se pode ver na maior parte das obras de arte. Depois de deitar a vítima sobre a cruz, os dois pés eram juntos na sua posição norma. Em seguida, eram inclinados a 90º e espetavam um prego que passava pelos dois tornozelos, o que era particularmente doloroso.
Seria menos cruel se pregassem os pulsos e deixassem os pés livres. O peso de uma vítima pregada apenas pelos pulsos, com os braços estendidos, teria tornado muito difícil a respiração. A cabeça pendida para a frente teria acelerado a asfixia da vítima no espaço de alguns minutos. Ao pregarem também os pés, garantia-se uma agonia muito dolorosa, que se prolongava, por vezes, durante horas. Os pregos que atravessavam os pés não só causavam uma dor intensa, mas prolongavam também o sofrimento. No entanto, por vezes a crueldade romana tinha limites. Se, passadas algumas horas, a vítima não tivesse ainda morrido, partiam-lhe as pernas. Uma vez perdido esse apoio, o condenado morria rapidamente por asfixia. Foi o que aconteceu aos dois ladrões crucificados de cada lado de Jesus (João 19:32). Mas, no caso de Jesus, os sofrimentos experimentados antes e durante a Sua crucificação contribuíram para uma morte mais rápida (João 19:33).

UMA PEDRA A TAPAR O TÚMULO

Segundo os evangelhos, Jesus foi sepultado no túmulo familiar da família de José de Arimateia. Esse túmulo foi fechado com a ajuda de uma grande pedra redonda. Na Palestina, foram encontrados muitos túmulos deste tipo, datados do tempo dos romanos. Pertencendo a famílias ricas, eles eram talhados na rocha. Depois de terem rolado a pedra, para o que era necessária a força de várias pessoas, o corpo era introduzido num túmulo rectangular. As paredes tinham várias cavidades profundas, os ´loculi´, onde os corpos eram colocados. Um túmulo podia conter entre nove e dezoito destes ´loculi´. Os sepulcros da famílias ricas podiam ser compostos por vários túmulos, com vários ´loculi´cada um e formando uma espécie de catacumba. Foi provavelmente numa sepultura desse tipo que Jesus foi depositado. Se imaginarmos o peso das pedras que fechavam os túmulos, podemos compreender o espanto dos guardas quando constataram que a pedra tinha sido rolada e que o corpo tinha desaparecido. Uma vez que essa acção necessitava da intervenção de várias pessoas, os guardas teriam, necessariamente, de acordar. Esse pormenor confirma indirectamente o aspecto sobrenatural da ´evasão´de Jesus.
Ao longo dos séculos, a localização do túmulo de Cristo foi objecto de infindáveis discussões. Desde o século IV e da época da rainha Helena, mãe do imperador Constantino, a maioria dos cristãos achava que o túmulo de Jesus estava situado perto da Igreja do Santo Sepulcro, construída pelos Cruzados no interior da cidade velha de Jerusalém. No século XIX, os estudiosos deram-se conta de que a Bíblia dizia que o lugar do suplício, o monte Gólgota, era fora da cidade. a Igreja do Santo Sepulcro deixou, portanto, de ser considerada como o lugar onde Jesus tinha sido sepultado.
Numa das suas visitas a Jerusalém, o general Gordon, o herói britânico de Cartoum, notou que um rochedo, no exterior, muito próximo das muralhas, tina a forma de uma caveira. Sabendo que o nome ´Gólgota´ significa ´caveira´, deduziu que aquela colina era o famoso monte Gólgota e que um dos túmulos descobertos nas proximidades devia ser o de Jesus. O túmulo mais notável recebeu o nome de ´túmulo do jardim´. Crentes protestantes preparam ali um jardim, para facilitar a meditação dos peregrinos.
O ´túmulo do jardim é o lugar por excelência para meditar na vida e na morte de Cristo. Mas indícios claros levam à conclusão de que o túmulo é nitidamente mais recente do que a época de Jesus. Por seu lado, o rochedo só recebeu a sua forma de caveira no século XVI da nossa era, quando os turcos talharam pedras nesta região. Podemos, portanto, afirmar com segurança, que este não é o túmulo de Cristo.
Pesquisas arqueológicas feitas na Cidade Velha e nas proximidades da Igreja do Santo Sepulcro demonstraram que, na época de Jesus, este lugar estava fora das muralhas de Jerusalém. Os muros actuais que rodeiam a Igreja foram construídos séculos mais tarde. A maioria dos especialistas está hoje convencida de que o lugar do Santo Sepulcro é realmente o lugar onde estava situado o túmulo de Cristo, ou, pelos menos, nas proximidades.
Hoje, temos praticamente a certeza de que o traçado da Via Dolorosa, estabelecido pelos Cruzados como sendo o trajecto seguido por Jesus desde Pilatos até ao Gólgota, carregando a cruz, não é o correcto. Pilatos não residia na fortaleza Antónia, onde começa a Via Dolorosa, mas num dos outros palácios de Herodes.

A ARQUEOLOGIA BÍBLICA: AS ESCAVAÇÕES

(foto do Túnel de Warren, escavado por Joabe) A prática das escavações começou por volta de 1860, quando Charles Warren foi enviado a Jerusalém pelo “Palestine Exploration Fund” a fim de aí efectuar escavações. Outros se seguiram e, em breve, as descobertas sucederam-se, incluindo a da célebre estela de Mescha e a de uma inscrição, datada do tempo de Jesus, que proibia aos pagãos o acesso ao tempo de Jerusalém. Mas surgiu outro problema. Muitas vezes, os arqueólogos da época estabeleciam ligações com os eventos bíblicos sem dispor de provas suficientes. Assim, Warren descobriu um certo número de pedras cuidadosamente talhadas perto do local onde supunha ser a localização do templo de Salomão. Baseou-se no facto de a Bíblia dar muita atenção aos feitos de Salomão e destas pedras serem visivelmente de uma qualidade extraordinária. Hoje sabemos que Warren se enganou em quase 900 anos, e que estas pedras pertenciam na realidade ao templo que Herodes, o Grande, tinha mandado construir pouco antes do nascimento de Jesus.
Tínhamos manifestamente necessidade de um quadro cronológico.
Para o período que sucedeu a invasão de Alexandre, o Grande, podíamos servir-nos das moedas, mas era preciso outra coisa para os períodos anteriores. Em 1890, o arqueólogo britânico Flinders Petrie deu origem a uma nova revolução no meio da arqueologia bíblica. (foto pedra/estela moabita onde Mescha, rei de Moabe, relata as suas vitórias sobre os israelitas, 2 Reis 3:4) Aquando das escavações em Tell el Hésy, a sudoeste de Jerusalém, a sua atenção voltou-se para milhares de peças de cerâmica. Os arqueólogos anteriores tinham posto de lado esses objectos aparentemente sem interesse. Petrie, ao contrário, anotou escrupulosamente o local onde eles foram encontrados. Assinalou as características diferentes e concluiu que essas peças podiam servir de chave para datar as descobertas arqueológicas. Na altura das primeiras escavações na Terra Santa, os dados foram tratados com negligência. Centenas de trabalhadores cavaram buracos sem que houvesse uma qualquer planificação. Por isso, não é de estranhar que as descrições dessas escavações sejam imprecisas e incompletas. Dispor de mais de uma pessoa para supervisionar os trabalhos era algo excepcional. O mesmo se pode dizer das escavações de R.A.S. Macalister em Guézer, a oeste de Jerusalém. Se bem que estas escavações fossem muito bem organizadas para a época (1910), a maior parte dos arqueólogos actuais pensa que as suas informações são inúteis, por falta de descrição meticulosa dos dados. Muitas das suas afirmações são agora consideradas erradas, mas a reinterpretação dos dados é muito difícil por falta de informações precisas.
(foto Meguido, a norte da Palestina, na planície de Armagedom) Nos anos 30, a Universidade de Chicago lançou-se no projecto arqueológico mais ambicioso até então empreendido. Tratava-se de Meguido, a cidade ligada ao Armagedom no livro de Apocalipse. O objectivo era explorar todo o local, de alto a baixo, e não deixar nada para os exploradores que pudessem seguir-se. Apesar do considerável apoio financeiro da família Rockefeller, este ambicioso projecto teve de ser abandonado ao fim de algum tempo, por falta de dinheiro. A expedição foi bem sucedida, mas, felizmente, grande parte do local de Meguido foi deixada para os arqueólogos posteriores. De facto, desde dos anos 30, a ciência arqueológica evoluiu consideravelmente.
Uma evolução interessante ocorreu por volta de 1950, quando o célebre arqueólogo israelita Yigael Yadin convidou voluntários para participarem nas escavações do forte herodiano de Masada, no deserto da Judeia, perto do Mar Morto. Estes voluntários estavam dispostos a pagar do seu bolso para participarem na aventura arqueológica.
Assim, sem obrigação de pagar aos trabalhadores, o custo desta campanha foi muito reduzido. Desde então, outras escavações foram efectuadas em colaboração com voluntários, o que permitiu obter mais resultados com um menor investimento financeiro. Actualmente, todos os anos se realizam várias escavações em Israel e na Jordânia, em colaboração com voluntários.
(foto de trabalhos de arqueólogos modernos)

UM GRUPO DE INVESTIGADORES ENCONTRAM AMOSTRAS DE MADEIRA COM 4.800 ANOS, JULGAM PERTENCER A ARCA DE NOÉ

foto Welcomearmenia.com
Ararat visto a Arménia
A equipa, formada por seis investigadores de Hong Kong e outros nove da Turquia e que conta com o apoio do Governo turco, revelou domingo que descobriu, em Outubro de 2009, durante as escavações no monte Ararat, um pedaço de madeira com 38 milímetros que terá cerca de 4800 anos, segundo os resultados das análises realizadas.
De acordo com Yeung Wing-Cheung, um dos investigadores, a idade da amostra de madeira coincide com a data de construção da Arca de Noé apontada pela Bíblia.
Apesar de haver fortes indícios de que as amostras encontradas - de madeira a restos de cordas que se julgam ter servido para prender os animais - pertençam à Arca de Noé, os investigadores não confirmam, para já, esta tese, até porque, sublinha Yeung, "nunca ninguém viu a arca".

foto www.noahsarksearch.com

Perfil do Ararat
"Porém, as amostras coincidem com os relatos históricos", acrescentou.
O investigador alemão Gerrit Aalten, que também integrou a expedição ao Monte Ararat, considera que "há uma grande quantidade de evidências sólidas de que a estrutura encontrada é a lendária Arca de Noé".
O geólogo turco Ahmet Ozbeck observa que a baixa temperatura e as condições ambientais dos depósitos de glaciar e do material vulcânico ajudaram a preservar a estrutura de madeira encontrada a quatro mil metros acima do nível do mar.
A equipa de investigadores de Hong Kong e da Turquia não quis avançar com detalhes sobre o local da descoberta, alegando estar a aguardar que o Governo turco crie ali uma área de preservação para a continuação das escavações.

Locais de exploração arqueológica no Ararat
O monte Ararat tem sido alvo de várias investigações sobre a eventual existência da Arca de Noé, sobre a qual não existe, até ao momento, qualquer certeza científica.
Em 2006, uma expedição arqueológica liderada por cristãos norte-americanos alegou ter encontrado uma formação rochosa nas montanhas do Irão que teria semelhanças com a arca, uma tese refutada por vários especialistas que levantaram dúvidas sobre a possibilidade de a estrutura ter sobrevivido milhares de anos.
Outros especialistas apontaram mesmo ser impossível um barco naufragar a uma altitude superior a 3000 metros.
A lenda da Arca de Noé, comum ao cristianismo, judaísmo e islamismo, conta que Deus decidiu criar um dilúvio para destruir o mundo por causa da perversidade humana, tendo, antes disso, dito a Noé, um dos seus seguidores, para cons

COMO TERÃO CAÍDO OS MUROS DE JERICÓ?

O modo maravilhoso como o povo de Israel, conduzido por Josué, conquistou a cidade de Jericó, continua a excitar a curiosidade dos leitores da Bíblia. O facto é narrado no capítulo 6 do livro de Josué, e aparece situado por volta do ano 1200 a.C., quando os israelitas chegaram à Palestina, a Terra Prometida.
O primeiro obstáculo.
A primeira cidade inimiga que encontraram foi Jericó. Segundo o relato bíblico, era um centro importante e rico (Js 6,24), rodeado por muralhas altas e poderosas (6,5). No seu interior habitavam os cananeus, povo bem apetrechado, com um rei, com serviços secretos de inteligência (Js 2,2), e com um valoroso exército treinado para a guerra. Os israelitas, pelo contrário, eram apenas um bando desorganizado de tribos e clãs que vinham a fugir da escravidão do Egipto.
Antes de eles chegarem, Deus tinha prometido entregar nas sus mãos todo o país, de Norte a Sul e de Este a Oeste. E eis que, logo à chegada, perante as suas reduzidas forças se erguia, como um obstáculo intransponível, a majestosa e soberba Jericó. Como poderiam conquistar todo o país, se a primeira cidade já parecia inconquistável?
A armadilha insólita.
Nesse momento Deus falou a Josué, e explicou-lhe a estratégia que deviam utilizar para vencer Jericó. Tratava-se de um ritual estranho. Durante sete dias, marchariam em círculo, à volta da cidade, levando a Arca da Aliança. Os sacerdotes iriam tocando as trombetas, enquanto o resto do povo os acompanharia com um solene silêncio. Dariam uma volta cada dia e voltariam para o acampamento.
Diz a Bíblia: «No sétimo dia, levantando-se de madrugada, deram sete a volta à cidade, como nos dias precedentes. Foi o único dia em que deram a volta à cidade por sete vezes» (Js 6,15).
Logo a seguir à sétima volta, Josué disse ao povo: «Gritai, porque o Senhor vos entrega a cidade» (6,16).
«Mal o povo escutou o som das trombetas, fez ouvir um grande clamor e as muralhas da cidade desabaram. Os filhos de Israel subiram à cidade, cada um pela brecha que tinha na sua frente, e tomaram a cidade» (6,20).
Assim, mediante esta insólita estratégia sugerida pelo próprio Deus, o povo de Israel exterminou todos os habitantes de Jericó, pegou fogo à cidade e reduziu-a a um monte de escombros e restos calcinados.
A batalha de Jericó aparece como um acontecimento militar chave para o povo de Israel, uma vez que lhe abriu as portas da conquista da Palestina.
Milagre, ou terramoto?
O que aconteceu realmente na batalha de Jericó? Durante séculos, as opiniões dos biblistas estiveram muito divididas. Iam do rotundo “impossível”, até à fé cega num milagre de Deus.
Alguns pensavam num fenómeno natural, isto é, num terramoto que teria ocorrido exactamente nesse dia. Outros afirmavam que as voltas dadas à volta da cidade distraíram os seus defensores, e o alarido de guerra e as trombetas tê-los-iam espantado e perturbado. Outra hipótese defendia que a expressão “muro da cidade” é uma metáfora para designar a “guarda da cidade”, e que dizer «as muralhas desabaram» significa que “os soldados ficaram impotentes” quando os israelitas atacaram. Claro, também houve os que o entendiam como uma intervenção directa de Deus, que derrubou as muralhas de Jericó para favorecer os israelitas.
Quando as pás falam.
Talvez se tivesse continuado a discutir a questão por muito mais tempo, se um achado arqueológico que pusesse ponto final a este debate.
A cidade de Jericó foi descoberta em 1868, numa localidade chamada pelos árabes Tel es-Sultan, a 28 km ao nordeste de Jerusalém, perto do Mar Morto. Mas as primeiras escavações realizaram-se entre 1908 e 1910 por dois investigadores alemães, E. Sellin y C. Watzinger, com resultados muito positivos.
Vinte anos depois, entre 1930 e 1936, teve lugar a segunda campanha arqueológica, mediante una expedição inglesa dirigida por John Garstang, a qual também trouxe à luz achados de enorme importância.
Mas, as descobertas mais extraordinárias foram realizadas pela arqueóloga Kathleen Kenyon, na terceira e última campanha. Ao longo de oito anos, entre 1952 e 1959, escavou intensamente toda a zona de Jericó, até não deixar praticamente nenhuma zona importante sem remover. Graças a estas investigações, foi possível traçar quase integralmente a História da cidade de Jericó.

O TESOURO: OS LIVROS ESCONDIDOS

“Ele chegam! Salvem-se! Os romanos aproximam-se!”

A triste mensagem chegou por fim às margens do mar Morto. Uma comunidade de judeus piedosos aí vivia separada do mundo. Eles tinham construído uma fortaleza segura, não tanto, que pudesse resistir a inimigos armados. Eles tinham o absolutamente necessário para sobreviver. Ao ouvir esta notícia tomaram alguns alimentos e partiram.

Estes homens estudavam de forma muito cuidadosa a Bíblia e eles tinham centenas de manuscritos (livros da Bíblia). Conseguiram ainda esconder alguns destes manuscritos em sacos ou enrolados em túnicas. Não tiveram o tempo suficiente para deixar tantos manuscritos por ordem, foi apressadamente que os enrolavam e escondiam nas cavernas das montas próximas ao lugar onde tinham habitado. Era-lhes insuportável a ideia que deixariam estes manuscritos sagrados ao alcance dor romanos. Levaram alguns e deixaram outros.

Uma gruta próxima do edifício central. Os habitantes entulhavam mais de 400 rolos contendo muitos livros do Antigo Testamento entre outros. Um outro grupo, vivendo um pouco mais distante fizeram o mesmo numa outra gruta e isto em vários locais.

Numa das grutas, tiveram tempo e o cuidado de enrolar os rolos em linho e de os colocar em ânforas fechadas, para os proteger melhor. Os habitantes pensavam em recuperar os seus livros quando os romanos tivessem partido.

Se alguns puderam voltar para levar os seus rolos, um grane número não pode. Alguns destes manuscritos certamente foram rasgados pelos romanos. Na gruta principal, alguns destes livros estavam deliberadamente rasgados, todos sofreram sérios danos, de uma maneira ou de outra. O pó e a areia foram trazidos pelo vento, e também a humidade penetraram nestes lugares. Os vermes fizeram moradas nestes buracos. Pouco a pouco, os rolos entraram em decomposição e muitos desapareceram com a sujidade.

Ainda assim, alguns resistiram e não foram totalmente desintegrados. Segundo o sábio Origines, encontrou-se em Jericó, por volta do ano 200 da nossa era, livros da Bíblia em jarros. Seiscentos anos mais tarde, encontram-se relatos de outras descobertas de rolos em grutas perto de Jericó. Estes rolos tiveram um papel importante entre uma emergente seita judaica na época medieval.

Depois, caiu o silêncio sobre os manuscritos durante 1000 anos. Ninguém podia imaginar que livros muito antigos tinham sobrevivido a tantas invasões e pilhagens nas terras da Palestina.

Três jovens pastores guardavam as suas cabras nas margens do mar Morto. As rochas escarpadas, foram sempre um lugar de alguma humidade e onde brota erva tenra que as cabras gostam de comer. Um dos jovens lança uma pedra a uma rebelde de gulosa cabra que entretida mais e mais se afastava das outras. Percebe o pequeno pastor que a pedra cai num buraco e um ruído “estranho” daí resulta, curioso espreita, era no entanto demasiado tarde para entrar na gruta. Decidiu falar aos seus companheiros enquanto regressavam à aldeia com os rebanhos.

Por aqui vou ficar nesta narrativa, continuarei um dia destes, até lá!

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