quinta-feira, 10 de janeiro de 2019


Os achados no “cárcere de São Pedro” (1)

Interior do “Carcere Mamertino”, ou “cárcere de São Pedro”.





Restauração arqueológica do “Cárcere de São Pedro” em Roma trouxe revelações além de toda expectativa sobre São Pedro e a antiguidade pagã


O “Carcere Mamertino”, ou “cárcere de São Pedro”, foi a “prisão de Estado” do antigo Império Romano.

Lá ficaram presos antes de morrer reis e potentados da terra derrotados pelas legiões romanas, como Vercingetorix, chefe bárbaro da Gália (França); Jugurta, rei da Numídia; Pôncio rei dos Sannitas e muitos outros.

Porém, esse cárcere ficou mais famoso por ter aprisionado os Apóstolos São Pedro e São Paulo, nos tempos de Nero. São Pedro, notadamente, ali operou milagres históricos.



Local onde ficou impresso o rosto de São Pedro
Entre esses está a impressão miraculosa da testa do Vigário de Cristo numa parede. O cárcere foi cavado numa camada de pedra vulcânica conhecida como ‘tufo’.

Quando São Pedro descia pela estreita escada ainda hoje usada foi brutalmente empurrado pelos algozes e bateu no muro. A pedra amoleceu e parte de seu rosto ficou impresso, e ali pode ser visto e venerado.

Aquela escada era uma autêntica “descida aos infernos” pois do andar inferior habitualmente nunca mais se saía.

Os prisioneiros morriam de frio, fome e doença, ou eram jogados num fosso onde faleciam destroçados.

Naquele antro escuro desapareciam, após serem exibidos como troféus, reis e chefes de Estado inimigos de Roma.

“Dessa maneira, eram abandonados às potências dos infernos, tragados pela terra e cancelados da existência. Não existem outros exemplos comparáveis”, observa a Dra. Patrizia Fortini, arqueóloga da Superintendência para os bens arqueológicos de Roma, que dirige os trabalhos de restauração empreendidos a partir de 1985, segundo noticiou o jornal italiano La Repubblica.

O ambiente é abafado. O teto muito baixo comunica uma sensação apavorante reforçada pelas grades de ferro negro que ainda perduram.

Nesse porão sem janelas, úmido e fétido, São Pedro converteu os carcereiros Processo e Martiniano, posteriormente mártires, e 47 prisioneiros.

Prisão de São Pedro, à esquerda a fonte milagrosa
Não tendo água para batizá-los fez brotar uma fonte do chão. Por fim, São Pedro foi liberto por um anjo.

As correntes que o prendiam hoje são veneradas como relíquias na igreja próxima de San Pietro ai Vincoli (São Pedro das correntes).

Os arqueólogos retiraram diversos pisos modernos e renascentistas e deixaram aparente o chão do tempo que São Pedro passou pela prisão.

Os trabalhos revelaram afrescos dos séculos XII e XIV inteiramente desconhecidos. Também foi possível localizar a comunicação que unia a prisão ao prédio do Senado enfrente ao “cárcere de São Pedro”.

Porém, ainda há mistérios a serem esclarecidos.



 

Video: O cárcere de São Pedro em Roma
 



 


Os achados no “cárcere de São Pedro” (2)

Altar de São Pedro e São Paulo após restauro de 2010







Entre os mistérios que ficam a serem esclarecidos, um é a conexão entre o cárcere e a sinistra Scalae Gemoniae.

Isto é, a escadaria que saindo do Foro era percorrida pelos condenados a morte. O nome vem do verbo “gemer” = a escadaria dos gemidos. 

Naquela escadaria também eram expostos os cadáveres dos justiçados e que depois eram jogados no rio Tibre.

O sinistro cárcere está composto por dois andares de desenho vagamente circular, um sobre o outro.



Prisão de São Pedro após restauro 2010
O superior, ou “Carcere Mamertino”propriamente dito, foi cavado pelo quarto rei de Roma Anco Marcio (640-616 a.C.).

O andar inferior, dito Tullianum, teria sido feito por Servio Tullio, sexto rei de Roma (578-534 a.C.).

Ali se encontra a fonte de São Pedro.

Os trabalhos arqueológicos confirmaram se tratar de um verdadeiro manancial que não está ligado a conduto nenhum.

Segundo a Dra. Patrizia Fortini que dirige os trabalhos de restauração empreendidos a partir de 1985, segundo noticiou o jornal italiano La Repubblica, a “fonte está ativa até hoje e somente com bombas consegue-se impedir que alague todo o ambiente”, acrescentou.

Afresco recuperado: Cristo apoia sua mão
no ombro de São Pedro enquanto abençoa
Também no andar inferior foram exumados restos de sacrifícios pagãos dos séculos VI a III a. C., provavelmente oferecidos pelos insignes prisioneiros a seus falsos deuses que, aliás, não os tiraram da desgraça.

Esse andar inferior foi cárcere até que no ano 314 o papa São Silvestre I (270-335) o transformou em local de culto com o título de San Pietro in Carcere. 

Por sinal, San Silvestre foi o primeiro sucessor de São Pedro a cingir a tiara, símbolo também da realeza do Papa sobre a cidade de Roma e dos Estados Pontifícios.

Entre os afrescos agora desvendados figura o de Cristo apoiando sua mão esquerda sobre o ombro de São Pedro enquanto este com expressão sorridente levanta a mão direita para abençoar (foto).

A imagem do Príncipe dos Apóstolos que sorri triunfante sobre a brutalidade pagã jamais tinha sido vista em outros locais.

A pintura também transparece o comprazimento de Cristo transmitindo seus poderes a Pedro e seus sucessores.

A barba de São Pedro é representada como espuma branca e suas vestimentas exibem cor ocre por uma degradação da cor azul original.

Afresco recuperado apresenta muros de Roma medieval
Também pode se perceber netamente uma coroa, parte de um afresco da coroação de Nossa Senhora.

Um grande manto vermelho e uma pequena mão fazem pensar na “Madonna della Misericordia”,testemunho da devoção a Nossa Senhora nos tempos medievais.

Em outras cenas, malgrado o estrago irreparável do tempo, podem se distinguir torres e muralhas da Roma medieval, inclusive da praça do Campidoglio, provavelmente feitas entre os anos 1100 e 1300.

O fragmento mais antigo é do século VIII-IX, está no “Tullianum”, e representa a mão de Deus Pai sobre um retângulo branco.

A mão de Deus que conduziu São Pedro e seus sucessores à vitória sobre a Roma pagã é a mesma mão que guia a marcha invicta da Igreja contra todos seus adversários até a consumação dos séculos.



Video: O cárcere de São Pedro em Roma
 



segunda-feira, 6 de julho de 2015


Coliseu restaura elevador que alçava as feras
para devorar os mártires

Os sinistros elevadores do Coliseu consumiam a força de oito escravos. Eis um restaurado.
Os sinistros elevadores do Coliseu consumiam a força de oito escravos. Eis um restaurado.





O famoso Coliseu de Roma, cujas ruínas relativamente conservadas são visitadas por milhões de turistas todos os anos, foi em seu esplendor um estádio de espetáculos cruéis. 

Sobressai na memória dos homens a lembrança gloriosa dos mártires cristãos que eram levados à arena sob o olhar lúbrico e sádico dos imperadores e de uma massa de pagãos ávidos de sangue. 

Naquele momento supremo lhes era proposta a péssima opção: ou recusavam a Jesus Cristo queimando incenso aos deuses e salvando assim suas vidas, ou seriam entregues às feras. 

Essas feras eram de diversas espécies, cada uma conhecida pelo seu modo de matar e devorar as vítimas.

Outras vezes era a luta de gladiadores contra animais ferozes, espetáculo especialmente sanguinário.

E por fim as lutas entre gladiadores, que terminavam não raro com a morte.

Calcula-se que em poucos séculos foram empregadas algumas dezenas de milhares de animais selvagens nesses espetáculos perversos.

Chegou-se a falar que a arena do Coliseu estava tingida pelo sangue de mártires, gladiadores e animais. 



Hoje se sabe onde ficavam a tribuna imperial, as prisões nas quais os mártires aguardavam a terrível provação e depois a morte, o lugar dos leões, leopardos e ursos, além de outras dependências.

Sabia-se da existência de uma espécie de elevador manual que alçava os animais até a arena e os libertava para suas cruéis tarefas. 

O quadro 'A última oração dos mártires cristãos', de Jean-Léon Gérôme (1824 — 1904),
apresenta o drama das feras saindo de um elevador para devorar os mártires.
Agora, 1.500 anos após os últimos espetáculos, foi reconstituído o engenhoso sistema de máquinas de madeira que elevava os animais mantidos na escuridão até a arena sem risco para os guardiões, informou o jornal britânico The Telegraph

Uma grande estrutura de madeira perpassava andares de celas e túneis fétidos onde ficavam as feras e nos quais escravos, cristãos e gladiadores aguardavam o momento trágico. 

A peça principal era uma gaiola de madeira puxada até o nível do campo do espetáculo por um sistema de cordas, polias e contrapesos.

Os animais ferozes eram obrigados a entrar na caixa desse elevador e, chegados ao destino, um mecanismo automático abria a porta, voltada para o centro da arena. Eles então saíam, para satisfazer as perversas delícias do imperador e de cerca 50 mil espectadores que ululavam e blasfemavam. 

A máquina demorou um ano e meio para ser refeita e foi testada com um lobo domesticado, que foi premiado com um biscoito. 

“Foi a primeira vez em 1.500 anos que um animal selvagem foi liberado no Coliseu”, explicou Gary Glassman, responsável pelo documentário filmado no momento.

“Eu teria preferido usar um leão, mas havia razões óbvias de segurança. Por fim, escolhemos o lobo, que é o símbolo de Roma”, disse.

“Um dos atrativos para tanta gente ir ao Coliseu era a violência incrível que nele se praticava”, explicou o diretor.

Santo Inácio de Antioquia devorado pelas feras. Ícone do século XVII.
A caminho de Roma, ele escreveu que ele ia “para ser trigo de Deus,
moído pelos dentes das feras e ser convertido em pão puro de Cristo” (Ad Rom. 4, 1)
“Como é que uma cultura tão avançada como a romana podia se regozijar com esses espetáculos sanguinários? O Coliseu ficou como uma foto instantânea tirada em pedra que registrou a cultura de Roma”.

Precisava-se de oito escravos para pôr em movimento o elevador, com capacidade para transportar um animal de até 300 quilos. Ele era também utilizado para subir armas e peças até os cenários que deviam decorar os lances brutais e cruéis das batalhas dos gladiadores.

Transportava ainda outros animais, como antílopes e cervídeos, que eram depois mortos por caçadores conhecidos como venatores, a título de mero entretenimento. 

O novo elevador ficará permanentemente exposto para fazer entender aos turistas como funcionava o Coliseu, disse Francesco Prosperetti, responsável pela herança cultural de Roma. 

Na realidade, os romanos chegaram a instalar um total de 28 desses elevadores em diversos pontos do anfiteatro.

Assim, as feras podiam aparecer de surpresa, para terror de mártires e gladiadores, e regozijo do sádico público.

O ministro Dario Franceschini apresentou a réplica do elevador como um exemplo de ressurgimento da Itália hodierna. 

O Coliseu tem a forma de anfiteatro e foi inaugurado pelo imperador Tito no ano 80 com um “festim extravagante de combates, caçada de bestas e derramamento de sangue que, segundo se diz, durou cem dias”, escreveu a historiadora Mary Beard em seu livro “O Coliseu”. 

O Coliseu era um imenso estádio ou salão de espetáculos cruéis ou assassinos. Hoje não há cenários semelhantes?
O Coliseu era um imenso estádio ou salão de espetáculos cruéis ou assassinos.
Hoje não há cenários semelhantes?
O general Pompeio, que acabou sendo derrotado por Júlio César, montou no século I um espetáculo com 20 elefantes, 600 leões e 410 leopardos que teriam sido sacrificados. 

No século II o imperador Comodo às vezes combatia na arena e se diz que ele matou cinco hipopótamos, dois elefantes, um rinoceronte e uma girafa. Animais aliás não tão difíceis de sacrificar.

Mas o espetáculo mais cruel e mais desejado pelos pagãos era a soltura de animais selvagens por cima dos cristãos – incluídos entre os criminosos – num sádico procedimento denominado ‘damnatio ad bestias’ (morte pelas feras), pelo qual as vítimas eram mortas e devoradas por animais ferozes. 

A nova instalação repõe a questão se o mundo hodierno está de fato progredindo para patamares morais mais altos ou se está voltando aos vícios do passado pagão.

Enquanto os mártires triunfam na glória de Deus, seus cruéis algozes que morreram sem arrependimento gemem na geena eterna.

O que pensarão esses mártires vendo o rumo do mundo ex-cristão?

Temerão e rezarão pelas vítimas da perseguição anticristã que cresce em tantos locais da terra e a cujo holocausto milhões de pessoas insensíveis assistem pela mídia ou pela Internet, como se fosse mais um espetáculo virtual?


Vídeo: O elevador das feras no Coliseu - Soltando o lobo





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